O julgamento de Etel Haxhiaj ocorre em meio a debates mais amplos sobre o papel de autoridades eleitas em operações migratórias e o limite entre manifestação política, intervenção civil e obstrução de ações policiais. O veredito deverá definir as consequências legais do episódio e seu impacto na trajetória pública da ex-vereadora.
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Começa julgamento de ex-vereadora de Worcester que enfrentou a polícia durante prisão de brasileira pelo ICE
A ex-vereadora de Worcester (Massachusetts), Etel Haxhiaj, enfrentou nesta semana o início de seu julgamento sob acusações de agressão a policial e interferência em ação policial, relacionadas a um episódio ocorrido durante uma operação de imigração em maio do ano passado.
Haxhiaj, que representava o Distrito 5 no conselho municipal da cidade de Worcester, em Massachusetts, foi presa após um confronto com agentes durante a detenção da brasileira Rosanne Ferreira de Oliveira, de 40 anos, realizada em 8 de maio, na Eureka Street.
O caso ganhou repercussão local por envolver uma autoridade eleita e por ocorrer em meio a uma ação de fiscalização imigratória, tema sensível na política estadual e nacional.
Durante as declarações de abertura do julgamento, a defesa sustentou que Haxhiaj apenas reagiu após ser tratada de forma agressiva por policiais no local.
Segundo a advogada Elizabeth Halloran, a ex-vereadora levantou as mãos e tentou se proteger depois de ter sido “agarrada, puxada e empurrada” pela policial de Worcester Shauna McGuirk.
Já a promotoria apresentou versão distinta. De acordo com o promotor, no momento em que era escoltada para longe do veículo, Haxhiaj teria se desvencilhado e empurrado a agente com ambas as mãos, estabelecendo contato físico — ação que fundamenta a acusação de agressão.
O Ministério Público afirma ainda que, após o primeiro contato, a ex-vereadora voltou a tocar na policial enquanto esta efetuava a prisão de uma adolescente de 17 anos.
Testemunhos apresentados em tribunal trouxeram divergências relevantes.
Dois policiais de Worcester ouvidos no processo afirmaram não ter presenciado o suposto empurrão. Duas testemunhas civis convocadas pela defesa também declararam não ter visto agressão contra a agente.
Uma moradora relatou ter visto a policial mover Haxhiaj com as duas mãos, descrevendo a ação como “forçosa” e sem consentimento. Em contrainterrogatório, porém, ela reafirmou não ter presenciado qualquer empurrão por parte da ex-vereadora, mesmo após assistir a um vídeo exibido apenas ao júri.
Uma segunda ré envolvida no caso também teria julgamento previsto, mas firmou acordo com a promotoria. Entre as condições estão liberdade condicional administrativa até 8 de maio, 40 horas de serviço comunitário e a exigência de não cometer novos crimes.
A defesa informou que ainda pretendia apresentar mais uma testemunha antes de encerrar sua participação no processo. A expectativa é que o júri inicie as deliberações na quarta-feira seguinte às audiências.
O julgamento de Etel Haxhiaj ocorre em meio a debates mais amplos sobre o papel de autoridades eleitas em operações migratórias e o limite entre manifestação política, intervenção civil e obstrução de ações policiais. O veredito deverá definir as consequências legais do episódio e seu impacto na trajetória pública da ex-vereadora.




