Segundo reportagem publicada pelo Atlanta Journal-Constitution (AJC), moradores têm compartilhado vídeos nas redes sociais mostrando abordagens, detenções e ações de agentes federais como forma de alertar parentes, amigos e vizinhos sobre a presença do ICE em diferentes bairros.
Publicidade
Publicidade
Comunidades de imigrantes na Geórgia relatam aumento das operações do ICE e clima de medo cresce na região de Atlanta
Da Redação
Comunidades de imigrantes na Geórgia afirmam que as operações do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) se intensificaram nas últimas semanas, aumentando o clima de apreensão entre milhares de famílias que vivem na região metropolitana de Atlanta.
Segundo reportagem publicada pelo Atlanta Journal-Constitution (AJC), moradores têm compartilhado vídeos nas redes sociais mostrando abordagens, detenções e ações de agentes federais como forma de alertar parentes, amigos e vizinhos sobre a presença do ICE em diferentes bairros. Testemunhas e organizações que prestam assistência à população imigrante relatam que o número de operações percebidas pela comunidade cresceu desde o início de julho.
A diretora da organização comunitária We Love Buford Highway, Lily Pabian, afirmou ao jornal que os relatos de prisões se tornaram cada vez mais frequentes e que muitas das pessoas detidas são conhecidas dentro da própria comunidade.
“Estamos ouvindo histórias praticamente todos os dias”, afirmou Pabian, destacando que o medo tem levado algumas famílias a evitarem deslocamentos desnecessários e até mesmo compromissos importantes.
De acordo com o AJC, o ICE foi procurado para comentar os relatos sobre o aumento das operações, mas não respondeu aos pedidos de esclarecimento da reportagem.
Os relatos surgem em um momento em que a Geórgia ocupa posição de destaque entre os estados com maior número de prisões realizadas pelo ICE. Dados analisados pelo Atlanta Journal-Constitution mostram que o estado permanece entre os cinco com maior volume de detenções migratórias do país desde o início da atual administração federal.
Especialistas apontam que parte desse aumento está relacionada à cooperação obrigatória entre autoridades locais e o governo federal, prevista na legislação estadual aprovada em 2024. Em diversos condados, departamentos de polícia e gabinetes de xerifes passaram a colaborar de forma mais direta com agentes federais, facilitando a identificação e a detenção de pessoas em situação migratória irregular.
Uma investigação publicada pelo próprio AJC revelou ainda que abordagens de trânsito têm sido utilizadas como uma das principais portas de entrada para ações do ICE. Em alguns casos documentados pelo jornal, motoristas foram parados por infrações de trânsito de menor gravidade e, posteriormente, entregues aos agentes federais após a verificação de sua situação imigratória.
Organizações de defesa dos imigrantes afirmam que o aumento das operações tem provocado mudanças no cotidiano de muitas famílias. Há relatos de trabalhadores que evitam sair de casa, crianças afetadas pela ausência dos pais após detenções e redução da participação da comunidade em eventos públicos por receio de abordagens das autoridades. Esse impacto já foi observado em outras reportagens recentes do AJC, que apontaram aumento no número de crianças entrando no sistema de assistência social da Geórgia após a detenção ou deportação de um dos pais.
Embora o governo federal afirme que suas ações têm como objetivo cumprir as leis de imigração e priorizar a remoção de pessoas consideradas uma ameaça à segurança pública, organizações comunitárias defendem maior transparência nas operações e reforçam a importância de que os imigrantes conheçam seus direitos durante abordagens das autoridades.
Publicidade




