Brazilian Times

O primeiro semanário brasileiro nos EUA

Crise de saúde mental entre imigrantes preocupa Massachusetts e pode resultar em nova legislação estadual

Medo de deportação, operações do ICE, dificuldades financeiras e barreiras no acesso a tratamentos estão entre os fatores que afetam a saúde emocional das comunidades imigrantes. Grupo reúne especialistas e organizações para buscar soluções.

Publicado em 10/24/26
Compartilhar:f𝕏W
Crise de saúde mental entre imigrantes preocupa Massachusetts e pode resultar em nova legislação estadual

Da redação

A crescente preocupação com a saúde mental dos imigrantes em Massachusetts está mobilizando organizações comunitárias, profissionais de saúde, líderes religiosos e representantes políticos. Um ano após a criação de uma força-tarefa estadual dedicada ao tema, os integrantes do grupo afirmam que existe uma ampla coalizão disposta a enfrentar os problemas emocionais e psicológicos que atingem essas comunidades.

A iniciativa, conhecida como Massachusetts Behavioral Health and Wellbeing Taskforce, foi criada para investigar as principais causas dos problemas de saúde mental entre imigrantes, identificar obstáculos ao atendimento e desenvolver propostas capazes de ampliar o acesso a serviços especializados.

Uma avaliação do primeiro ano de atividades, elaborada pelo Leah Zallman Center for Immigrant Health Research, revelou que comunidades imigrantes e profissionais que oferecem atendimento culturalmente adaptado desenvolveram redes próprias de apoio para compensar as deficiências dos serviços tradicionais.

Entretanto, o documento alerta que Massachusetts ainda não possui uma política pública abrangente voltada especificamente às necessidades de saúde mental dessa população.

Entre os principais fatores identificados pela força-tarefa estão a situação migratória, as mudanças nas políticas de imigração, o aumento das operações de fiscalização do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), além das dificuldades relacionadas à moradia, ao emprego e ao acesso a tratamentos médicos.

Segundo os especialistas envolvidos no projeto, essas condições podem aumentar os níveis de ansiedade, estresse e insegurança entre famílias imigrantes.

Outro problema identificado é a falta de profissionais preparados para atender pacientes de diferentes origens culturais e linguísticas, além das limitações de cobertura dos seguros de saúde.

A força-tarefa também destacou que obstáculos burocráticos impedem que muitos imigrantes recebam atendimento, mesmo quando existem profissionais disponíveis.

Uma das principais iniciativas foi a criação de um diretório de organizações comunitárias e profissionais especializados em saúde mental, coordenado pela Haitian Mental Health Network, vinculada ao William James College.

De acordo com Gina Benjamin, diretora executiva da organização, a rede já reúne aproximadamente 150 profissionais capazes de prestar atendimento em mais de 15 idiomas, sem listas de espera.

Apesar dessa disponibilidade, muitos enfrentam dificuldades para obter credenciamento junto às seguradoras, processo necessário para oferecer consultas cobertas pelos planos de saúde.

Benjamin explicou que esses entraves burocráticos acabam impedindo o atendimento de famílias imigrantes que necessitam de acompanhamento psicológico.

A proposta é simplificar os procedimentos e garantir que os pacientes encontrem serviços que respeitem suas necessidades culturais e linguísticas.

 

Parlamentares discutem possíveis mudanças na legislação

A força-tarefa, que conta com a participação da Massachusetts Immigrant and Refugee Advocacy Coalition (MIRA Coalition), iniciou conversas com legisladores estaduais para transformar as conclusões do estudo em propostas concretas.

Representantes do grupo participaram de uma reunião com o Black and Latino Legislative Caucus e o Comitê Conjunto de Saúde Mental, Uso de Substâncias e Recuperação de Massachusetts.

Durante o encontro, profissionais de hospitais e organizações comunitárias relataram dificuldades enfrentadas no atendimento psicológico à população imigrante.

Maroni Minter, diretor político da MIRA Coalition, afirmou que a expectativa é continuar trabalhando com os parlamentares para elaborar recomendações que possam resultar em um projeto de lei.

A deputada estadual Mindy Domb também destacou a importância de avaliar os impactos das políticas migratórias e das operações de fiscalização sobre o bem-estar das comunidades.

Segundo ela, o objetivo é compreender melhor as necessidades existentes e identificar quais serviços precisam ser ampliados.

No segundo ano de atividades, a força-tarefa pretende aprofundar as pesquisas, ampliar a articulação entre profissionais e organizações comunitárias e desenvolver propostas legislativas estaduais.

Entre as prioridades estão a redução das barreiras de acesso aos tratamentos, o fortalecimento das redes de apoio e a criação de campanhas informativas para combater o preconceito relacionado aos problemas de saúde mental.

A iniciativa também busca garantir que imigrantes possam procurar ajuda psicológica independentemente das dificuldades linguísticas, culturais ou administrativas que enfrentam.

O principal alerta dos especialistas é que a crise de saúde mental entre imigrantes não está relacionada apenas a questões individuais, mas também às condições sociais, econômicas e migratórias que afetam milhares de famílias em Massachusetts.

Fonte: Brazilian Times

Compartilhar matéria:

Veja também