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Revista Brazilian Times # 86
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CT Insider destaca três pontos importantes sobre prisões e detenções do ICE em Connecticut

Desde que o presidente Donald Trump assumiu o segundo mandato prometendo uma repressão rigorosa à imigração, o impacto das operações do Departamento de Imigração e Controle de Alfândega (ICE, sigla em inglês) em Connecticut tornou-se cada vez mais evidente.

Desde que o presidente Donald Trump assumiu o segundo mandato prometendo uma repressão rigorosa à imigração, o impacto das operações do Departamento de Imigração e Controle de Alfândega (ICE, sigla em inglês) em Connecticut tornou-se cada vez mais evidente.

Dados recém-divulgados pelo ICE, obtidos pelo Deportation Data Project por meio da Lei de Liberdade de Informação (FOIA), revelam um aumento significativo nas prisões, detenções e deportações de imigrantes no estado desde o início do novo governo Trump.

As informações, analisadas pelo CT Insider, cobrem o período de 1º de setembro de 2023 a 29 de julho de 2025, e mostram um cenário mais severo tanto em Connecticut quanto no restante do país. Embora os registros não incluam nomes, identificadores únicos permitiram rastrear o percurso de indivíduos desde a prisão até a deportação.

1. Aumento expressivo nas prisões de imigrantes em Connecticut sob Trump

Durante os primeiros sete meses da atual administração, o ICE realizou quase 500 prisões em Connecticut, superando as pouco mais de 400 registradas nos 16 meses finais do governo Biden.

O aumento acompanha a tendência nacional: as prisões mensais do ICE saltaram de 8 mil em dezembro para 17 mil em fevereiro, e têm oscilado entre 20 e 30 mil por mês desde abril. No total, 138.104 pessoas foram presas desde 20 de janeiro, quando Trump reassumiu o cargo.

Em agosto, uma operação batizada de “Operation Broken Trust” resultou na prisão de 65 pessoas em Connecticut, concentradas principalmente em Norwalk, Stamford e Danbury. A ação faz referência à Trust Act, lei estadual que restringe a cooperação de autoridades locais com o ICE.

2. Detidos em Connecticut estão sendo transferidos para outros estados, especialmente Louisiana

Connecticut não possui centros de detenção de longa duração administrados pelo ICE. Por isso, os imigrantes presos no estado costumam ser enviados para unidades em outros estados da Nova Inglaterra, como Plymouth (MA), Central Falls (RI) e Dover (NH).

No entanto, os novos dados mostram uma mudança preocupante: o ICE tem transferido detidos de Connecticut para instalações no sul dos Estados Unidos, especialmente em Louisiana e Texas.

Entre janeiro e julho, 125 imigrantes foram enviados para o Alexandria Staging Facility, administrado pela empresa privada Geo Group, e outros 57 para o Pine Prairie ICE Processing Center, também em Louisiana. Além disso, 40 pessoas foram levadas para o Port Isabel Service Processing Center, no Texas, conhecido por suas condições severas.

A advogada de imigração Erin O’Neil, que atua em Connecticut, afirmou que essas transferências representam uma mudança drástica:

“Antes, quem era detido em Connecticut ficava em Massachusetts ou Rhode Island. Agora, estão sendo enviados ao Sul, onde as cortes são mais conservadoras. Isso muda tudo”, explicou.

Especialistas alertam que o deslocamento para jurisdições mais rigorosas — como o Quinto Circuito de Apelações, o mais conservador do país — pode prejudicar as chances de defesa dos imigrantes.

3. Deportações também aumentam sob o governo Trump

O número de deportações de residentes de Connecticut aumentou drasticamente nos últimos meses. Em dezembro de 2024, cerca de 20 pessoas foram deportadas; já a partir de março de 2025, os números duplicaram e triplicaram.

Em nível nacional, as deportações saltaram de 9 mil em fevereiro para 12 mil em março, mantendo-se altas até julho.

Os principais destinos das deportações de Connecticut são Equador (80 pessoas), Guatemala (68) e México (61). Jamaica, com 29 deportações, é o único país fora da América Latina no ranking dos dez mais.

Ativistas e advogados relatam que o medo das deportações tem levado muitos imigrantes a desistirem de seus pedidos de asilo. Um equatoriano ouvido pelo tribunal de imigração de Hartford em agosto afirmou ter decidido “autodeportar-se” por falta de provas para sustentar sua solicitação.

“Comprei minha passagem e decidi voltar por conta própria”, disse ele ao juiz John DeCure, que autorizou a saída voluntária.

A saída voluntária não acarreta as mesmas penalidades legais que uma deportação forçada, permitindo o retorno legal aos Estados Unidos no futuro.

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