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Revista Brazilian Times # 83
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Dados revelam que quase metade das prisões do ICE em Massachusetts atinge imigrantes sem antecedentes criminais

O tema segue no centro do debate político e jurídico nos Estados Unidos, com críticas sobre possíveis excessos nas ações do ICE e questionamentos sobre o equilíbrio entre segurança pública e direitos individuais de imigrantes.


Novos dados divulgados sobre operações do Departamento de Imigração dos Estados Unidos (ICE, sigla em inglês) indicam que uma parcela significativa das prisões realizadas em Massachusetts tem como alvo imigrantes sem qualquer histórico criminal. As informações, obtidas pelo Deportation Data Project e analisadas pelo portal MassLive, lançam luz sobre o perfil das detenções durante o atual governo do presidente Donald Trump.

De acordo com o levantamento, entre 20 de janeiro de 2025 e 10 de março de 2026, o ICE realizou 7.031 prisões no estado. Desse total, 46% envolvem pessoas sem antecedentes criminais, enquanto 19% tinham condenações e 35% respondiam a acusações pendentes.

Os números contrastam com declarações frequentes de autoridades federais, como o chamado “czar da fronteira”, Tom Homan, que afirma que a prioridade da agência é prender “os piores dos piores”, em referência a criminosos violentos e membros de gangues.

O volume de prisões também cresceu de forma significativa em relação ao governo anterior. Nos últimos 14 meses da gestão do ex-presidente Joe Biden, foram registradas 1.470 detenções — número cerca de cinco vezes menor.

Naquele período, o perfil dos detidos também era diferente: 36% tinham condenações criminais, 38% respondiam a acusações e 26% estavam relacionados a outras violações imigratórias.

Para especialistas, a mudança indica uma alteração clara na política de aplicação das leis migratórias. “Há uma diferença significativa entre o que vimos no governo anterior e o que estamos vendo agora”, afirmou Ragini Shah, professora da Suffolk University e diretora de uma clínica de justiça imigratória.

Representantes de organizações de defesa de imigrantes criticam a estratégia atual. Sarang Sekhavat, da Massachusetts Immigrant & Refugee Advocacy Coalition, afirmou que a mudança já era esperada. Segundo ele, houve abandono de critérios que priorizavam indivíduos considerados ameaça à segurança pública.

Por outro lado, o Department of Homeland Security (DHS), responsável pelo ICE, rebateu os dados e acusou o estudo de construir uma “narrativa falsa”. Em nota, a agência sustenta que cerca de 70% das prisões envolvem “imigrantes ilegais criminosos” e argumenta que muitos dos classificados como “sem antecedentes” podem estar ligados a crimes fora dos Estados Unidos ou simplesmente não possuem ficha criminal no país.

O DHS também reforça que a entrada ilegal configura crime federal, com base na lei conhecida como 8 USC 1325.

Juristas e defensores de imigrantes, no entanto, contestam essa interpretação. Segundo especialistas, a legislação citada não se aplica automaticamente a todos os casos, especialmente àqueles que envolvem solicitantes de asilo, pessoas com vistos válidos ou indivíduos autorizados a permanecer no país por razões humanitárias.

Ragini Shah destaca que muitos dos detidos são requerentes de asilo que seguiram os procedimentos legais. “Essas pessoas se apresentaram às autoridades, demonstraram medo crível de perseguição e foram autorizadas a permanecer no país enquanto seus casos são analisados”, afirmou.

Além disso, há casos de pessoas que entraram legalmente nos Estados Unidos e perderam o status migratório, como estudantes ou visitantes que ultrapassaram o prazo do visto.

Um exemplo que ganhou repercussão foi o da estudante de doutorado Rümeysa Öztürk, da Universidade Tufts, detida em março de 2025 após ter o visto revogado. Após semanas sob custódia, ela foi libertada por ordem judicial, e o processo de deportação acabou encerrado.

Em nível nacional, os dados também apontam tendência semelhante. Segundo análise do The Washington Post, cerca de 42% dos detidos nas semanas recentes não possuíam antecedentes criminais.

O tema segue no centro do debate político e jurídico nos Estados Unidos, com críticas sobre possíveis excessos nas ações do ICE e questionamentos sobre o equilíbrio entre segurança pública e direitos individuais de imigrantes.

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