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Revista Brazilian Times # 85
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Dois médicos imigrantes são detidos por autoridades de imigração no Texas

A detenção de dois médicos venezuelanos que atuavam em hospitais do sul do Texas provocou forte reação de entidades médicas, parlamentares e organizações de defesa dos imigrantes nos Estados Unidos.

Da redação

A detenção de dois médicos venezuelanos que atuavam em hospitais do sul do Texas provocou forte reação de entidades médicas, parlamentares e organizações de defesa dos imigrantes nos Estados Unidos. Os casos envolvem a médica de emergência Rubeliz “Bibi” Bolívar e o médico residente Ezequiel Veliz, ambos posteriormente libertados sob fiança enquanto continuam respondendo aos respectivos processos de imigração.

Rubeliz Bolívar foi detida em abril no Aeroporto Internacional de McAllen, no Texas, quando viajava com sua filha de cinco anos, cidadã americana, para participar de uma entrevista de asilo previamente agendada na Califórnia ao lado do marido. A médica trabalhava em um hospital da região do Vale do Rio Grande, considerada uma área com escassez de profissionais de saúde, e possuía autorização de trabalho válida enquanto aguardava a análise de seus processos de imigração. Após a detenção, a criança foi entregue aos familiares, enquanto Bolívar permaneceu sob custódia das autoridades migratórias por cerca de um mês, até obter liberdade mediante pagamento de fiança.

Dias antes, o médico Ezequiel Veliz, residente em Medicina da Família, havia sido detido por agentes da Patrulha de Fronteira em um posto de fiscalização rodoviária no sul do Texas durante uma viagem para Houston. Segundo seu advogado e entidades que acompanharam o caso, Veliz foi afetado pela suspensão federal da renovação de determinados vistos e permissões de trabalho, situação que interrompeu sua residência médica. Ele permaneceu aproximadamente dez dias detido antes de conseguir a liberdade mediante fiança de US$ 8 mil.

Os dois casos despertaram críticas de organizações médicas, entre elas o American College of Emergency Physicians (ACEP) e a Emergency Medicine Residents’ Association (EMRA), que defenderam a libertação dos profissionais e destacaram que ambos prestavam atendimento em comunidades carentes, onde há déficit de médicos. As entidades afirmaram que a perda desses profissionais pode afetar diretamente o acesso da população aos serviços de saúde.

Parlamentares e líderes comunitários também questionaram a condução das detenções, argumentando que os médicos estavam seguindo os trâmites legais para regularizar sua situação migratória. Já o Departamento de Segurança Interna (DHS) sustentou que as ações ocorreram com base na legislação de imigração vigente e afirmou que Rubeliz Bolívar permanecia nos Estados Unidos após o vencimento de seu visto original, apesar de possuir solicitações migratórias pendentes.

A repercussão dos episódios ampliou o debate sobre os impactos das políticas de fiscalização migratória em profissionais qualificados que atuam em setores essenciais, especialmente em regiões que enfrentam escassez de médicos. Embora Rubeliz Bolívar e Ezequiel Veliz já tenham sido libertados, ambos continuam respondendo aos processos perante a Justiça de Imigração dos Estados Unidos.

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