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Revista Brazilian Times # 86
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Dono de complexo habitacional avalia processar governo federal pelo uso de gás lacrimogêneo em Portland

O REACH Community Development Corporation, organização responsável pela administração do complexo residencial Gray’s Landing, em Portland, Oregon, avalia mover uma ação judicial contra o governo federal devido ao uso de gás lacrimogêneo e outros artefatos de controle de multidões durante protestos em frente ao prédio do Departamento de Imigração dos Estados Unidos (ICE, sigla em inglês).

O REACH Community Development Corporation, organização responsável pela administração do complexo residencial Gray’s Landing, em Portland, Oregon, avalia mover uma ação judicial contra o governo federal devido ao uso de gás lacrimogêneo e outros artefatos de controle de multidões durante protestos em frente ao prédio do Departamento de Imigração dos Estados Unidos (ICE, sigla em inglês).

Localizado diretamente em frente ao complexo, o prédio do ICE tem sido palco de manifestações recorrentes. Segundo o REACH, o uso de gás lacrimogêneo, bombas de fumaça e projéteis de pimenta afetou de forma significativa o bem-estar de mais de 200 moradores de baixa renda — entre eles idosos, veteranos, famílias e pessoas com deficiência.

Moradores relatam impactos diretos na saúde. A residente Susan Dooley, que vive no edifício há anos, afirmou à KATU que passou a sofrer episódios de desorientação após cada ação com gás lacrimogêneo.
“Eu esqueço muitas coisas, minha fala não é mais a mesma, fico sem fôlego e às vezes mal consigo conversar”, disse. Ela afirmou ainda ter recebido diagnóstico recente de insuficiência cardíaca leve, que associa às repetidas exposições às substâncias químicas.

Segundo Dooley, diversos moradores que vivem ao lado do prédio do ICE receberam recomendações médicas para se mudar para unidades mais afastadas.

Em nota enviada à imprensa, o REACH informou estar “explorando medidas legais em nome dos moradores e funcionários”, destacando a necessidade de garantir segurança e tranquilidade, especialmente durante o período de festas de fim de ano.

A organização afirma já ter adotado várias ações para mitigar os impactos das operações federais, como instalação de máquinas de purificação de ar, fornecimento de purificadores individuais, distribuição de protetores auriculares, contratação de patrulhas diárias de cortesia e realocação de moradores que solicitaram mudança. O REACH também mantém diálogo com autoridades municipais e policiais para tentar reduzir o uso de gás nas proximidades do complexo e reforçar o cumprimento das normas de ruído.

Moradores disseram à KATU que a entidade organizou uma reunião para que eles possam relatar suas experiências diretamente a advogados na próxima segunda-feira.

Procurado para comentar, o Departamento de Segurança Interna (DHS), por meio da secretária-assistente Tricia McLaughlin, defendeu as ações federais.
“O direito à Primeira Emenda protege discurso e assembleia pacífica — não atos de violência. O DHS está tomando medidas razoáveis e constitucionais para manter a lei e proteger nossos agentes”, afirmou.

McLaughlin acrescentou que o uso de força não letal ocorre apenas após tentativas de dispersão. Segundo ela, agentes federais têm sido alvo de disparos, pedras, garrafas, fogos de artifício e ataques contra veículos oficiais — além de confrontar manifestantes que tentam obstruir operações ou utilizar carros como arma contra policiais.

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