“A diferença que faz ter um advogado é enorme”, afirma Lloyd Bennett, advogado de imigração em Union City. “Muitas vezes, quem se representa nem sabe se tem direito a algum tipo de alívio migratório.”
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Falta de advogados aumenta risco de deportação para imigrantes em Nova Jersey, revela estudo
Imigrantes sem representação legal enfrentam um risco significativamente maior de serem deportados nos Estados Unidos. Dados recentes mostram que, entre 1999 e maio de 2025, mais da metade dos imigrantes que passaram por audiências de deportação em Nova Jersey não tinham advogado, o que comprometeu diretamente suas chances de permanecer no país.
Segundo levantamento do Transactional Records Access Clearinghouse (TRAC), vinculado à Universidade de Syracuse, dos 260.182 imigrantes com processos de remoção no estado, 139.494 estavam sem representação legal. O impacto é alarmante: 42% dos casos sem advogado terminaram em deportação, enquanto esse número caiu para 18% entre aqueles com representação jurídica.
Imigrantes têm direito a contratar um advogado, mas o governo não é obrigado a fornecer um gratuitamente — o que deixa milhares sem assistência, especialmente os mais vulneráveis financeiramente.
“A diferença que faz ter um advogado é enorme”, afirma Lloyd Bennett, advogado de imigração em Union City. “Muitas vezes, quem se representa nem sabe se tem direito a algum tipo de alívio migratório.”
A advogada Florence Otaigbe, que atua em Jersey City, destaca que a falta de conhecimento sobre o funcionamento dos tribunais agrava ainda mais a situação. “Preparar petições, apresentar provas, testemunhar e enfrentar interrogatórios são tarefas que exigem conhecimento técnico”, diz. “É aí que a presença de um advogado pode definir o destino de um imigrante.”
Além das dificuldades jurídicas, Otaigbe alerta para as barreiras linguísticas: mesmo com tradutores disponíveis, nem sempre há profissionais que falem o idioma correto, ou as interpretações podem ser imprecisas — um risco grave quando se trata de decisões que envolvem a permanência legal no país.
Outro ponto crítico, segundo a advogada, é a incapacidade de muitos imigrantes de identificar falhas ou condutas irregulares por parte dos procuradores do Departamento de Segurança Interna (DHS), que atuam como acusação nos processos. “Um advogado pode intervir e contestar esse tipo de ação”, explica.
A falta de acesso à defesa está ligada diretamente aos altos custos dos serviços jurídicos. Embora existam organizações sem fins lucrativos que oferecem apoio gratuito ou a preços reduzidos, a demanda é muito maior que a capacidade de atendimento. Um estudo do Center for Migration Studies of New York revelou que, em 2022, havia apenas um profissional legal filantrópico para cada 2.687 imigrantes em Nova Jersey.
A situação se agravou com os cortes federais de financiamento promovidos pela administração Trump, segundo Bennett. “Muitas dessas agências perderam recursos e não conseguem atender ao número crescente de imigrantes nos tribunais.”
Com a expansão das políticas de detenção e deportação em massa, o acesso à justiça para imigrantes está se tornando cada vez mais restrito. Para os especialistas, garantir assistência jurídica adequada não é apenas uma questão legal, mas de direitos humanos e devido processo.
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