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Revista Brazilian Times # 86
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Governadora de Massachusetts cobra transparência do ICE sobre prisões de imigrantes no estado

O tema continua gerando intenso debate em Massachusetts, especialmente diante do impacto das políticas de imigração nas comunidades locais e na relação entre autoridades estaduais e federais.


A governadora de Massachusetts, Maura Healey, enviou uma carta ao Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos solicitando total transparência sobre as prisões realizadas por agentes federais de imigração no estado desde janeiro de 2025.

O documento foi encaminhado à secretária do U.S. Department of Homeland Security, Kristi Noem, e ao diretor interino do U.S. Immigration and Customs Enforcement, Todd Lyons. Nele, Healey exige que a agência forneça, no prazo de uma semana, informações detalhadas sobre cada pessoa detida em Massachusetts, incluindo identidade, base legal da prisão, situação do processo, local de detenção, jurisdição do tribunal e datas das próximas audiências.

Na carta, a governadora contesta declarações recorrentes do ICE de que as operações de imigração têm como alvo os chamados “piores dos piores”. Segundo Healey, dados divulgados pela própria agência indicam que a maioria das pessoas presas no estado não possui antecedentes criminais.

“Muitos dos que estão sendo levados sob custódia são membros antigos de nossas comunidades — pais, cuidadores e trabalhadores cuja detenção repentina deixa suas famílias em crise”, escreveu a governadora. “Isso tem causado consequências profundas para seus filhos, suas famílias, nossas comunidades e para todo o estado de Massachusetts.”

De acordo com informações públicas do ICE, uma operação realizada em maio de 2025, chamada Operation Patriot, resultou em 1.461 prisões em Massachusetts, sendo que 46% das pessoas detidas não tinham acusações ou condenações criminais. Já uma segunda ação, denominada Operation Patriot 2.0, realizada em setembro de 2025, levou à prisão de 1.406 pessoas, das quais aproximadamente 57% não tinham histórico criminal.

A carta também menciona casos específicos relatados à administração estadual, incluindo o de um estudante de ensino médio de 18 anos, sem antecedentes criminais, detido enquanto dirigia para um treino de vôlei, além de uma mãe de uma criança quadriplégica que foi presa a caminho do trabalho apesar de ter um pedido de asilo em andamento.

Outros relatos citados incluem um pai sem histórico criminal detido no local de trabalho e transferido para outro estado, um jovem preso em frente a um supermercado durante uma abordagem considerada “colateral”, e um homem que vivia nos Estados Unidos há mais de 20 anos e foi detido, deixando dois filhos cidadãos americanos.

Segundo Healey, o governo estadual não conseguiu verificar completamente os detalhes desses casos porque o ICE não forneceu informações suficientes às autoridades estaduais e locais.

A governadora também afirma que as ações da agência federal têm gerado impacto direto nas comunidades, com crianças faltando à escola, trabalhadores evitando seus empregos, pacientes deixando de comparecer a consultas médicas e moradores deixando de denunciar crimes por medo.

Como resposta, Healey apresentou um projeto de lei para impedir operações do ICE em locais considerados sensíveis, como tribunais, escolas, creches, hospitais e templos religiosos. A governadora também assinou uma ordem executiva determinando que agentes federais apresentem mandados judiciais para entrar em áreas não públicas de instalações estaduais e restringindo o uso de recursos do estado para aplicação da lei migratória civil.

A medida também limita a participação de órgãos estaduais em acordos federais conhecidos como 287(g), que permitem cooperação entre autoridades locais e o governo federal em operações de imigração, exceto quando houver clara necessidade de segurança pública.

O tema continua gerando intenso debate em Massachusetts, especialmente diante do impacto das políticas de imigração nas comunidades locais e na relação entre autoridades estaduais e federais.

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