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Revista Brazilian Times # 85
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Governo Trump abre revisão interna sobre contratação de agente do ICE envolvido em morte de colombiano no Maine

A decisão ocorre após familiares do agente, identificado como David Brouillette, revelarem à Associated Press que ele teria um histórico de graves problemas de saúde mental e episódios de comportamento violento antes de ingressar no ICE.

Da Redação

O governo do presidente Donald Trump iniciou uma revisão interna do processo de seleção e treinamento do agente do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) envolvido na morte do colombiano Johan Sebastián Durán Guerrero, de 25 anos, durante uma operação de imigração na cidade de Biddeford, no estado do Maine. A informação foi confirmada neste domingo (26) por Tom Homan, responsável pela política de segurança de fronteiras da administração Trump.

A decisão ocorre após familiares do agente, identificado como David Brouillette, revelarem à Associated Press que ele teria um histórico de graves problemas de saúde mental e episódios de comportamento violento antes de ingressar no ICE. Diante das denúncias, Homan afirmou que, caso essas informações sejam confirmadas, o agente não deveria ter sido aprovado no processo de contratação.

“Se essas alegações forem verdadeiras, eu não acredito que ele deveria ter passado pelo processo de seleção”, declarou Homan durante entrevista à CNN. Segundo ele, tanto o treinamento dos agentes quanto os critérios de contratação estão sendo analisados pela corregedoria do Departamento de Segurança Interna (DHS).

O caso aumentou a pressão sobre o DHS em meio à rápida expansão do efetivo do ICE para atender à política de deportações em massa do governo Trump. A morte de Durán Guerrero aconteceu poucos dias após outro episódio semelhante em Houston, Texas, onde o imigrante Lorenzo Salgado Araujo também foi morto durante uma abordagem de agentes federais. Os dois casos levantaram questionamentos sobre os métodos empregados nas operações e o treinamento recebido pelos novos agentes.

Como resposta às críticas, o diretor interino do ICE, David Venturella, determinou que todas as abordagens envolvendo paradas de veículos deverão contar obrigatoriamente com pelo menos uma câmera corporal em funcionamento, registrando toda a operação. Segundo Homan, a medida busca ampliar a transparência e fornecer registros completos das ações dos agentes.

O Congresso americano também passou a cobrar explicações do DHS. Durante uma reunião reservada com parlamentares da Comissão de Segurança Interna da Câmara, autoridades informaram que o ICE recebeu 56 denúncias de uso excessivo da força desde o início da atual campanha de deportações. Dessas, 32 foram arquivadas, apenas uma resultou em encaminhamento para possível ação disciplinar, enquanto as demais continuam sob investigação. Até o momento, nenhuma punição havia sido aplicada.

A senadora republicana Susan Collins, representante do Maine e presidente da Comissão de Apropriações do Senado, voltou a defender o uso obrigatório de câmeras corporais pelos agentes federais. Ela classificou como “extremamente lamentável” o fato de o agente envolvido na morte de Durán Guerrero não estar utilizando o equipamento durante a operação.

Enquanto enfrenta crescente escrutínio sobre suas práticas, o Departamento de Segurança Interna também sofre pressão para ampliar o número de deportações. Apesar do aumento das operações migratórias, a administração Trump ainda não atingiu a meta de deportar 1 milhão de pessoas por ano. Segundo informações divulgadas pelas autoridades americanas, ao menos dez pessoas morreram em confrontos ou abordagens envolvendo agentes de imigração desde o início da atual campanha de deportações em massa, alimentando o debate sobre treinamento, fiscalização e uso da força nas operações federais.

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