Os casos reforçam o clima de tensão e preocupação crescente entre famílias imigrantes em Massachusetts, especialmente diante da intensificação das ações federais sob o governo Trump.
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Grupo de advogados pede investigação sobre papel da polícia de Everett na detenção de adolescente brasileiro pelo ICE
O grupo Lawyers for Civil Rights (LCR) está pedindo uma investigação estadual sobre a atuação da polícia de Everett, Massachusetts, após a detenção de um menino brasileiro de 13 anos, posteriormente levado sob custódia pelo Departamento de Imigração e Alfândega (ICE, sigla m inglês) e transferido para um centro de detenção juvenil na Virgínia, a mais de 800 quilômetros de distância.
O adolescente, identificado como Arthur Berto, aluno da Albert N. Parlin School, foi preso em um ponto de ônibus próximo à escola após denúncias de que teria ameaçado outro estudante. Segundo a mãe, Joseiele Berto, ela foi informada de que poderia buscar o filho na delegacia, mas, após esperar por mais de uma hora, soube que o garoto havia sido levado por agentes federais.
Em carta aberta enviada à governadora Maura Healey, à procuradora-geral Andrea Joy Campbell e à secretária interina de Segurança Pública Susan Terrey, o LCR afirmou que o episódio “expõe falhas graves nas proteções legais de imigrantes em Massachusetts” e pode representar uma violação da decisão judicial Lunn v. Commonwealth, que proíbe a colaboração direta entre polícias locais e autoridades de imigração federais.
“O fato de a mãe ter sido chamada para buscar o filho indica que a polícia já não tinha autorização para mantê-lo sob custódia. Ainda assim, houve demora e, em seguida, o menino foi entregue ao ICE”, diz o documento.
A advogada Jillian Lenson, do LCR, afirmou que o caso é “alarmante por envolver uma criança e por mostrar um perigoso colapso das garantias legais para imigrantes”. Já Brooke Simone, também advogada da organização, declarou que “esse tipo de conduta destrói a confiança pública e espalha medo nas comunidades”.
Embora a polícia de Everett negue ter colaborado com o ICE, o chefe Paul Strong admitiu que, no procedimento padrão de registro, as digitais dos detidos são enviadas automaticamente ao sistema federal, o que permite que o ICE identifique e detenha imigrantes sem autorização de residência.
O LCR solicita que o estado investigue se a polícia estendeu ilegalmente a custódia do menor para facilitar a ação do ICE, violando as leis estaduais.
O caso de Arthur ocorre em meio à Operação Patriot 2.0, uma ofensiva do governo Trump que resultou em 1.400 prisões de imigrantes em Massachusetts apenas em setembro, segundo comunicado do ICE. Embora o governo federal afirme que a operação tem como alvo criminosos perigosos, advogados e ativistas denunciam uma campanha indiscriminada que também atinge solicitantes de asilo, trabalhadores e famílias sem antecedentes criminais.
Outro caso citado por defensores dos direitos dos imigrantes é o de Ihsanullah Garay, afegão de 38 anos com câncer cerebral, preso em setembro em Methuen (MA) após abordar um agente do ICE por engano enquanto fazia entregas. Garay, que estava em tratamento no Boston Medical Center, foi enviado para um centro de detenção na Geórgia, e segundo seu advogado, encontra-se agora em uma cadeira de rodas.
A ex-presidente da Associação de Advogados de Imigração da Nova Inglaterra, Robin Nice, questionou a falta de controle sobre o sistema: “Onde está a responsabilidade? Quem garante que não possam transferir alguém várias vezes, tornando impossível até pagar fiança?”
Os casos reforçam o clima de tensão e preocupação crescente entre famílias imigrantes em Massachusetts, especialmente diante da intensificação das ações federais sob o governo Trump.
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