A discussão reacende o debate sobre os limites éticos e legais da vigilância governamental nos Estados Unidos — um tema que volta ao centro das atenções em meio à promessa do governo de intensificar ações de fiscalização migratória e reforçar o controle de fronteiras.
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ICE estuda uso de ferramenta capaz de rastrear centenas de milhões de smartphones, alertam especialistas
O Departamento de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, sigla em inglês) está avaliando a adoção de uma nova tecnologia de vigilância capaz de rastrear os movimentos de centenas de milhões de smartphones, segundo documentos obtidos pelo jornal britânico The Independent.
A ferramenta, desenvolvida pela empresa de vigilância PenLink, permitiria que o ICE acessasse grandes volumes de dados de geolocalização e os cruzasse com informações provenientes de redes sociais. Especialistas em privacidade alertam que o sistema daria ao governo um nível sem precedentes de acesso aos deslocamentos e interações das pessoas, levantando sérias preocupações sobre possíveis violações constitucionais.
De acordo com a proposta preliminar, o ICE considera o uso de softwares capazes não apenas de mapear onde os indivíduos vão, mas também de criar conexões entre eles, analisar publicações online e até mesmo tentar identificar rostos. Essa combinação de vigilância digital em larga escala e análise de comportamento desperta temores de abuso de poder e falta de transparência.
“O que está em jogo aqui é o princípio da proteção contra buscas e apreensões não razoáveis, garantido pela Quarta Emenda da Constituição americana”, explicou um especialista ouvido pelo The Independent. “Quando o governo compra dados de localização coletados por empresas privadas sem mandados judiciais, entra-se em uma zona legal cinzenta que ameaça a privacidade de todos.”
Grupos de direitos civis e organizações de defesa dos imigrantes afirmam que essa tecnologia pode ter impactos diretos sobre comunidades vulneráveis, como imigrantes indocumentados, que já vivem sob constante vigilância e temor de detenções. Eles pedem que o Congresso e os tribunais intervenham antes que o ICE amplie ainda mais seu alcance sobre a vida digital das pessoas.
Até o momento, o ICE não confirmou oficialmente a contratação da ferramenta nem respondeu a questionamentos sobre a possível implementação do sistema. A PenLink, empresa com histórico de fornecimento de tecnologias de monitoramento para agências de segurança, também não comentou o caso.
A discussão reacende o debate sobre os limites éticos e legais da vigilância governamental nos Estados Unidos — um tema que volta ao centro das atenções em meio à promessa do governo de intensificar ações de fiscalização migratória e reforçar o controle de fronteiras.
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