A mobilização da Igreja ocorre em um cenário de crescente preocupação entre líderes religiosos e organizações sociais diante do avanço das políticas de deportação em massa, que, segundo eles, têm impactado diretamente milhares de famílias em todo o país.
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Igreja Católica mobiliza líderes nos EUA para discutir impacto de deportações em massa
Em meio ao endurecimento das políticas migratórias adotadas pelo governo de Donald Trump, líderes religiosos e especialistas de diversas regiões dos Estados Unidos se reuniram no estado do Arizona para debater estratégias pastorais diante do aumento das deportações em massa.
O encontro, realizado no dia 12 de março pela Diocese de Phoenix, teve como tema “Witness to Hope: Responding to Mass Deportations” (“Testemunhar a Esperança: Respondendo às Deportações em Massa”) e reuniu especialistas em direito migratório, teologia e assistência a imigrantes.
Durante a conferência, o bispo de Phoenix, John Dolan, destacou a importância da compaixão e da presença junto aos mais vulneráveis, citando ensinamentos do papa Papa Leão XIV. Segundo ele, o amor a Deus está diretamente ligado ao cuidado com os pobres e marginalizados. “Onde encontramos Cristo? Entre os mais necessitados”, afirmou.
O evento foi o segundo de uma série de encontros regionais organizados por instituições católicas. O primeiro ocorreu em dezembro, em Providence, sob coordenação do bispo Bruce Lewandowski, e um terceiro já está previsto para o dia 6 de maio, em Detroit.
As conferências fazem parte de uma iniciativa mais ampla chamada Catholic IMMpact, criada pelo Center for Migration Studies of New York em parceria com o Hope Border Institute. O projeto também conta com o apoio de entidades como a U.S. Conference of Catholic Bishops, a Catholic Charities USA e a Jesuit Refugee Service-USA.
Ao longo do encontro, foram discutidos os princípios da doutrina social da Igreja relacionados à imigração, que buscam equilibrar o direito das pessoas de migrar para sustentar suas famílias, o direito dos países de controlar suas fronteiras e a obrigação de fazê-lo com justiça e misericórdia.
Além dos aspectos teóricos, os participantes abordaram temas práticos, como o impacto das detenções em massa, os direitos dos imigrantes durante operações de fiscalização e a atuação em locais sensíveis, como igrejas e escolas. Também foram debatidas iniciativas voltadas à saúde mental de migrantes e à elaboração de planos pastorais para apoiar comunidades afetadas.
Durante uma missa realizada no contexto do evento, o bispo auxiliar de Phoenix, Peter Dai Bui, reforçou a dimensão humana da questão migratória. Ele, que chegou aos Estados Unidos ainda criança após fugir do Vietnã com a família, afirmou que toda pessoa que cruza uma fronteira carrega dignidade inerente, independentemente de leis ou políticas.
Representantes de paróquias também destacaram o papel das comunidades locais no acolhimento de imigrantes. Iniciativas simples, como aulas de inglês e distribuição de alimentos, têm sido fundamentais para fortalecer vínculos e oferecer suporte em momentos de medo e incerteza.
A mobilização da Igreja ocorre em um cenário de crescente preocupação entre líderes religiosos e organizações sociais diante do avanço das políticas de deportação em massa, que, segundo eles, têm impactado diretamente milhares de famílias em todo o país.
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