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Revista Brazilian Times # 86
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Mais de 560 pessoas são presas em operações de imigração na região de Portland; organizações denunciam táticas agressivas

Agentes federais prenderam mais de 560 pessoas em Portland e cidades vizinhas apenas no mês de outubro, segundo dados divulgados pela U.S. Customs and Border Protection (CBP). As ações ocorreram dentro da operação “Oregon Support: Portland Sweep”, que mobilizou equipes fortemente armadas, com máscaras, veículos blindados e táticas de choque.

Agentes federais prenderam mais de 560 pessoas em Portland e cidades vizinhas apenas no mês de outubro, segundo dados divulgados pela U.S. Customs and Border Protection (CBP). As ações ocorreram dentro da operação “Oregon Support: Portland Sweep”, que mobilizou equipes fortemente armadas, com máscaras, veículos blindados e táticas de choque.

O vídeo publicado pela agência nas redes sociais surpreendeu organizações de defesa dos imigrantes, que afirmam não ter sido informadas da dimensão da operação.

“Não estamos recebendo os relatos do que realmente está acontecendo, e isso é preocupante”, disse Ana Munoz, diretora de desenvolvimento de liderança e engajamento comunitário do Latino Network.

Organizações registram números menores que os do governo

A Portland Immigrant Rights Coalition (PIRC), que monitora detenções do ICE no estado, registrou cerca de 300 detenções no mesmo período — quase metade do total anunciado pelas autoridades federais. A coalizão opera uma linha direta e depende das comunidades para relatar atividades do ICE.

Munoz afirma que táticas violentas estariam impedindo que imigrantes peguem o telefone para pedir ajuda ou acionar defensores legais. “Eles tiram o celular das pessoas imediatamente”, disse ela.

Em resposta, um porta-voz da CBP afirmou ao canal KATU que as prisões envolveram ações conjuntas entre CBP e ICE-ERO e visaram “manter as comunidades seguras ao prender estrangeiros com violações criminais ou de imigração”. A agência listou 12 imigrantes acusados de crimes como homicídio, estupro, tráfico de drogas e porte de armas.

Críticas à seleção de alvos

Ativistas contestam a narrativa federal, lembrando que, muitas vezes, nomes divulgados incluem pessoas com infrações antigas ou já resolvidas. “Vimos casos de pessoas com DUI de 10, 20 anos atrás, que já pagaram pelo erro, mas ainda assim acabam nas listas de imigração”, disse Munoz.

Dados do Migration Policy Institute mostram que 71% dos detidos pelo ICE no país não têm condenações criminais.

Operações se intensificam em outros estados

A ofensiva não se limitou ao Noroeste. No fim de semana, agentes federais realizaram 130 prisões em apenas 48 horas em Charlotte, Carolina do Norte.

Entre os abordados estava Willy Aceituno, cidadão americano naturalizado, nascido em Honduras. Ele relatou à Associated Press que foi retirado à força e colocado em um carro da Patrulha de Fronteira, sendo liberado apenas após mostrar seus documentos de cidadania. Aceituno disse ainda que foi parado duas vezes no mesmo dia e que agentes quebraram uma das janelas de seu carro.

As operações ocorrem em meio ao endurecimento das políticas de imigração sob o presidente Donald Trump, que tem ampliado ações de fiscalização em cidades grandes e médias em todo o país, intensificando o clima de medo entre imigrantes e suas comunidades.

 

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