A intensificação das ações de agentes federais de imigração nos arredores de Los Angeles provocou um forte impacto na comunidade católica de origem hispânica.
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Medo do ICE provoca queda de mais de 50% na frequência de fiéis em missas católicas nos arredores de Los Angeles
Da Redação
A intensificação das ações de agentes federais de imigração nos arredores de Los Angeles provocou um forte impacto na comunidade católica de origem hispânica. O medo de serem abordados por agentes do U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE) fez com que a participação nas missas em espanhol caísse drasticamente na Diocese de San Bernardino, que abrange uma vasta região entre os condados de San Bernardino e Riverside, na Califórnia.
Segundo o porta-voz da Diocese, John Andrews, a frequência nas missas em espanhol sofreu uma redução de pelo menos 50%. “Algumas paróquias tiveram quedas ainda maiores. As pessoas simplesmente estão com medo de sair de casa para ir à igreja”, declarou Andrews em entrevista ao Washington Examiner.
O temor não é infundado. Nos últimos dois meses, agentes do ICE detiveram imigrantes sem documentos nas proximidades de duas paróquias da Diocese. Em um dos casos, vários homens foram presos ao redor de uma igreja. Em outro episódio, um fiel ativo da Igreja Católica Nossa Senhora de Lourdes, na cidade de Montclair, foi abordado e detido pelos agentes enquanto fazia serviços de jardinagem no terreno da paróquia.
“Esse homem vivia há anos no país, não tinha antecedentes criminais, apenas estava sem status migratório legal. A família dele é muito ativa na igreja, e o filho mais velho serviu por mais de dez anos na Guarda Nacional do Exército”, contou Andrews. O fiel foi transferido para um centro de detenção no Texas e, até a última atualização, permanecia preso no estado do Novo México.
Diante da situação, o bispo da Diocese de San Bernardino, Dom Alberto Rojas, emitiu um decreto em 9 de julho dispensando os fiéis do dever de comparecer às missas dominicais e nas festas religiosas, conforme previsto no cânone 1247 da Igreja Católica, “enquanto durar o temor fundado de ações de fiscalização migratória”.
A medida inédita reflete o sentimento de insegurança crescente entre a população hispânica da região. A Diocese de San Bernardino atende cerca de 1,5 milhão de católicos, sendo uma das maiores dos Estados Unidos.
Além dos imigrantes indocumentados, até mesmo pessoas com status migratório regular estão evitando sair de casa. “Temos relatos de indivíduos que estão legalmente no país, mas temem serem detidos por conta da cor da pele ou origem étnica”, afirmou Andrews.
Historicamente, instalações como hospitais, escolas e igrejas eram consideradas zonas de proteção, nas quais o ICE evitava realizar ações de fiscalização. No entanto, essa prática informal foi abandonada após a posse do presidente Donald Trump em 2017. Apesar disso, a agência de imigração nega que esteja deliberadamente realizando detenções em igrejas. “Relatos de operações dentro de instalações médicas ou religiosas são falsos”, afirmou um representante do ICE ao Washington Examiner.
Mesmo assim, a presença dos agentes federais nas imediações dos templos está tendo um “efeito paralisante” sobre a comunidade, segundo Andrews. “A mensagem que está sendo passada é clara: não é seguro ir à igreja.”
O episódio lança luz sobre o clima de tensão vivido por imigrantes, documentados ou não, nos Estados Unidos, e revela como até mesmo espaços tradicionalmente considerados sagrados estão deixando de ser refúgios para milhares de fiéis.
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