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Revista Brazilian Times # 86
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Organizações brasileiras participam de conferência na Cidade do México sobre imigração

O tom geral da conferência foi de resistência e articulação internacional, com foco em fortalecer alianças entre movimentos sociais, organizações de imigrantes e governos progressistas.


O Grupo Mulher Brasileira e o Instituto Diáspora Brasil participaram, no último fim de semana, da Conferência Continental pelo Direito de Migrar, pelo Direito dos Imigrantes e pela Soberania Nacional, realizada na Cidade do México. O evento reuniu 127 representantes de seis países – Brasil, Estados Unidos, México, Colômbia, Guiana Francesa, Guadalupe – além de convidados da França Insubmissa. As delegações do Peru, Venezuela e Equador tiveram seus vistos negados e não puderam comparecer.

Uma das principais deliberações do encontro foi a convocação de uma Jornada Continental de Ação pelo Direito à Migração, programada para a segunda semana de março de 2026. A iniciativa deve ocorrer simultaneamente em vários países do hemisfério e, segundo os organizadores, provavelmente terá São Paulo como sede central.

No documento emitido ao fim da conferência, os participantes denunciaram o avanço da política anti-imigrante em diversas partes do mundo, com destaque para os Estados Unidos, onde medidas restritivas e operações violentas têm gerado temor nas comunidades estrangeiras. O texto também condena as agressões à Venezuela, que incluem ataques à economia, a embarcações e ameaças de intervenção militar.

Os signatários reconheceram que governos como os do Brasil, Venezuela, Colômbia e México têm manifestado apoio aos imigrantes, mas de forma isolada. Para os organizadores, apenas uma ação conjunta dos países latino-americanos poderá enfrentar o que chamaram de “política imperialista”.

“O inimigo é forte demais para ser enfrentado individualmente. O desejável seria uma unidade dos governos do continente contra a política imperialista”, destaca o documento.

A Conferência Continental pelo Direito de Migrar, pelo Direito dos Imigrantes e pela Soberania

 

Crescimento da população imigrante nos EUA

O relatório também chamou a atenção para os números recentes da imigração nos Estados Unidos. Em janeiro de 2025, a população imigrante atingiu 53 milhões de pessoas, o que representa 15,8% da população total do país – um recorde histórico. Em 2023, o número de imigrantes indocumentados era de 14 milhões, sendo a maioria oriunda da América Central e da América do Sul.

A conferência destacou que a luta pelo direito de migrar deve ser entendida como parte essencial da defesa dos direitos dos trabalhadores e dos direitos humanos.

 

Contribuição brasileira em Massachusetts

Durante sua participação, Álvaro Lima, do Instituto Diáspora Brasil, ressaltou a importância econômica das comunidades brasileiras nos Estados Unidos, com destaque para Massachusetts, onde está a segunda maior comunidade imigrante brasileira do país (16,7%), atrás apenas da Flórida (21,8%).

“Desde 2010, somos a maior comunidade imigrante do estado de Massachusetts e exercemos um papel relevante na vida econômica, social e política das localidades onde vivemos. Contribuímos para o bem-estar dessas comunidades como trabalhadores, consumidores, empresários, investidores e contribuintes”, afirmou.

Segundo Lima, a contribuição econômica dos brasileiros é expressiva: somente em 2022, trabalhadoras e trabalhadores brasileiros geraram cerca de US$ 8 bilhões para o produto bruto estadual, além de US$ 3,8 bilhões em consumo, o que resultou na criação de quase 30 mil empregos e US$ 2,2 bilhões em renda. No mesmo ano, empresários brasileiros movimentaram US$ 5,7 bilhões, criaram mais de 82 mil empregos diretos e indiretos e pagaram US$ 208 milhões em imposto de renda estadual.

 

Relato de violações e violência

A conferência também deu espaço para denúncias de abusos contra imigrantes. Heloisa Galvão, do Grupo Mulher Brasileira, fez um relato contundente sobre a situação vivida por comunidades imigrantes nos Estados Unidos diante das operações de agentes de imigração.

“As pessoas não estão sendo presas, elas estão sendo sequestradas por homens mascarados, armados, violentos, em carros não identificados, e desaparecem. Muitos são pegos de manhã cedo e passam o dia em uma van, algemados, sem comida e sem água, enquanto a van roda por 10 a 12 horas pegando mais imigrantes”, afirmou.

Segundo ela, a estratégia do governo é transferir rapidamente os detidos para fora do estado, dificultando qualquer tentativa de apoio legal. “Não há limite para o que os agentes de imigração podem fazer. Eles algemam, prendem, jogam remédios fora, e os detidos passam fome e sede, frio e calor. O pavor está instalado”, denunciou.

 

Unidade continental

O tom geral da conferência foi de resistência e articulação internacional, com foco em fortalecer alianças entre movimentos sociais, organizações de imigrantes e governos progressistas. A expectativa é de que a Jornada Continental de 2026 represente um marco de mobilização, colocando a migração como pauta central de direitos humanos e de soberania nacional em todo o continente.

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