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Revista Brazilian Times # 86
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Padilla abandona audiência no Senado e acusa republicanos de promoverem “teatro político” sobre imigração

Antes de deixar o local em protesto, Padilla declarou que não participaria de uma audiência “montada para alimentar propaganda, e não para proteger ninguém”.


Em uma audiência marcada por tensão e acusações cruzadas, o senador Alex Padilla (D-Calif.), membro graduado do Subcomitê de Imigração do Senado, confrontou republicanos nesta quarta-feira durante o debate intitulado “ICE Under Fire: The Radical Left’s Crusade Against Immigration Enforcement”. Para o democrata, a sessão não passou de uma tentativa “partidária e sem base factual” de justificar a agenda de deportações em massa do presidente Donald Trump.

Padilla reforçou repetidas vezes que “violência contra agentes da lei nunca é aceitável”, mas afirmou que os republicanos estão usando o tema como escudo para evitar discutir abusos cometidos por agentes federais de imigração em todo o país. Segundo o senador, o Departamento de Segurança Interna (DHS) tem alegado — sem apresentar documentos — aumentos de 500%, 1.000% e até 8.000% em agressões contra seus agentes. Padilla disse ter solicitado esses dados por meses, sem resposta.

“Se esta audiência fosse uma tentativa séria de proteger os agentes da lei, teríamos testemunhas do governo e dados concretos. Nada disso foi oferecido”, criticou.

O democrata também rebateu a justificativa do governo de que as operações miram “criminosos violentos”. De acordo com estatísticas do próprio DHS, mais de 70% das pessoas atualmente detidas pelo ICE não possuem antecedentes criminais. Padilla classificou as ações como “operações brutais” direcionadas a trabalhadores, imigrantes de longa data e até cidadãos americanos — citando casos de prisões violentas, jornalistas agredidos, líderes religiosos atingidos por munição não letal e cidadãos confundidos com imigrantes sem documentos.

Em um dos episódios mencionados, um juiz federal nomeado por Ronald Reagan escreveu que “na história do país nunca se tolerou uma polícia secreta armada e mascarada atuando dessa forma”.

Padilla afirmou que o governo está conduzindo uma política migratória “autoritária”, fundamentada em perfis raciais e violações de devido processo legal. Ele também citou o caso de uma cidadã americana grávida, na Flórida, que foi jogada ao chão durante uma operação e posteriormente sofreu um aborto.

Segundo o senador, os republicanos evitam discutir esses episódios por “medo de confrontar o presidente e seu aparelho de indignação”.

Antes de deixar o local em protesto, Padilla declarou que não participaria de uma audiência “montada para alimentar propaganda, e não para proteger ninguém”.

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