O caso de Minneapolis passou a ser acompanhado de perto pela administração nova-iorquina, em meio à escalada de tensão entre governos locais e autoridades federais.
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Prefeito de NY reafirma status de cidade-santuário e promete não cooperar com operações do ICE
O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, reafirmou nesta semana o compromisso da cidade com suas políticas de cidade-santuário e garantiu que a administração municipal não irá cooperar com operações do Departamento de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE). A declaração ocorre após a morte de uma mulher em Minneapolis, baleada durante uma ação envolvendo um agente federal de imigração, episódio que reacendeu o debate nacional sobre a atuação das autoridades migratórias.
“A notícia que vem de Minneapolis é horrível”, afirmou Mamdani. “Isso é parte de um ano marcado pela crueldade. Quando agentes do ICE atacam imigrantes, atacam cada um de nós neste país. Nova York é, e sempre será, uma cidade que defende os imigrantes em todos os cinco distritos.”
O prefeito disse ainda ter deixado claro a todos os setores do governo municipal — incluindo o Departamento de Polícia de Nova York (NYPD) — que as diretrizes de cidade-santuário serão rigorosamente mantidas. “Não estamos aqui para auxiliar o trabalho dos agentes do ICE”, reforçou.
As declarações provocaram reação imediata do governo federal. Em entrevista coletiva na quinta-feira, a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, criticou duramente as políticas de cidades-santuário e afirmou que elas acabam protegendo criminosos. Segundo Noem, operações recentes do ICE em Nova York têm apresentado resultados expressivos.
“Desde o início da Operação Salvo, há poucos meses, prendemos 54 indivíduos”, disse a secretária. De acordo com ela, os detidos seriam integrantes ou associados de gangues transnacionais violentas, como os Trinitarios, envolvidos em tráfico de armas, contrabando de pessoas, distribuição de drogas e assaltos armados. “Esses grupos são responsáveis por ataques violentos anteriores na cidade de Nova York”, afirmou.
O novo embate entre autoridades municipais e federais ocorre poucas semanas após Mamdani ter se reunido com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Salão Oval. O encontro chamou atenção porque o prefeito já havia criticado publicamente as políticas migratórias do presidente e defendido medidas para “blindar” Nova York contra ações federais consideradas excessivas.
Nos bastidores, Mamdani enfrenta um delicado equilíbrio político. O prefeito tenta evitar que o governo federal autorize o envio da Guarda Nacional para Nova York — medida já adotada por Trump em outras cidades governadas por democratas — e busca impedir um aumento no número de agentes do ICE atuando no município.
O caso de Minneapolis passou a ser acompanhado de perto pela administração nova-iorquina, em meio à escalada de tensão entre governos locais e autoridades federais. Para analistas, o episódio pode servir como um alerta sobre os riscos de confrontos diretos entre forças federais e cidades que adotam políticas de proteção a imigrantes, ampliando um debate que deve continuar no centro da agenda política nacional.




