A política de imigração segue sendo um dos temas mais polarizados do cenário político americano, com discussões que envolvem segurança, direitos civis e a gestão das fronteiras.
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Relatório interno indica que menos de 14% dos detidos pelo ICE no primeiro ano de Trump tinham histórico de crimes violentos
Um relatório interno do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS, sigla em inglês) revela que menos de 14% das quase 400 mil pessoas presas pelo Departamento de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE, sigla em inglês) durante o primeiro ano do novo mandato do presidente Donald Trump possuíam histórico de crimes violentos. Os dados foram divulgados inicialmente pela emissora CBS News.
O levantamento analisou detenções realizadas entre 21 de janeiro de 2025 — primeiro dia completo de Trump de volta à Casa Branca — e 31 de janeiro de 2026, período no qual cerca de 393 mil pessoas foram presas pelo ICE. O relatório, no entanto, não inclui detenções feitas pela Patrulha de Fronteira.
De acordo com os dados do DHS, aproximadamente 60% das pessoas presas tinham algum tipo de acusação ou antecedente criminal. Ainda assim, a maior parte desses registros não estava relacionada a crimes violentos.
O restante, cerca de 40% dos detidos, não possuía histórico criminal e foi preso apenas por infrações civis de imigração, como permanecer no país sem autorização legal.
Entre os casos considerados mais graves, o relatório indica que cerca de 2% dos detidos tinham acusações relacionadas a homicídio ou agressão sexual, enquanto menos de 2% eram suspeitos de ligação com gangues.
A administração Trump tem afirmado repetidamente que as operações de imigração priorizam indivíduos considerados de alta periculosidade, frequentemente descritos pelo governo como “the worst of the worst” — expressão usada para se referir a imigrantes com histórico criminal violento.
Após a divulgação dos dados, a porta-voz do DHS, Tricia McLaughlin, respondeu às reportagens em uma publicação nas redes sociais, argumentando que diversos crimes classificados oficialmente como não violentos ainda representam ameaças significativas à segurança pública.
Segundo ela, crimes como tráfico de drogas, distribuição de pornografia infantil, roubo, fraude, dirigir sob efeito de álcool, desvio de recursos, aliciamento de menores e contrabando de pessoas aparecem na categoria de crimes não violentos nas estatísticas federais.
McLaughlin também afirmou que aproximadamente 70% dos detidos durante o período tinham acusações criminais pendentes ou condenações anteriores, reforçando a posição do governo de que as ações de fiscalização continuam focadas em indivíduos envolvidos em atividades ilícitas.
Foco em organizações criminosas
O governo federal também tem destacado que uma das prioridades das operações migratórias é o combate a organizações criminosas internacionais. Entre elas está o grupo Tren de Aragua, que foi oficialmente classificado pelos Estados Unidos como organização terrorista estrangeira em fevereiro de 2025.
Autoridades afirmam que membros de gangues e indivíduos envolvidos em crimes graves continuam sendo alvos prioritários das operações conduzidas pelo ICE.
Aumento nas detenções
Dados compilados pela plataforma de estatísticas Statista, com base em registros do ICE, mostram que o número de pessoas mantidas em centros de detenção migratória cresceu significativamente ao longo de 2025.
O total de detidos aumentou cerca de 65% em um ano, passando de aproximadamente 40 mil pessoas em dezembro de 2024 para mais de 70 mil no final de dezembro de 2025, o maior número registrado até agora.
Debate sobre política migratória
Os números reacenderam o debate sobre a política migratória nos Estados Unidos. Defensores das medidas afirmam que o aumento das operações reforça a aplicação das leis de imigração e contribui para a segurança pública.
Críticos, por outro lado, argumentam que os dados indicam que uma parcela significativa dos detidos não possui histórico de crimes violentos, o que levanta questionamentos sobre as prioridades e o impacto das operações migratórias na comunidade imigrante.
A política de imigração segue sendo um dos temas mais polarizados do cenário político americano, com discussões que envolvem segurança, direitos civis e a gestão das fronteiras.




