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Revista Brazilian Times # 84
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Senador alerta que deportações em massa podem prejudicar a Previdência Social dos EUA

A audiência reforçou a avaliação de que a imigração continua sendo um dos principais pilares de crescimento econômico e equilíbrio demográfico nos Estados Unidos — e que mudanças drásticas nesse fluxo podem ter consequências profundas para o futuro do país.


Durante uma audiência do Comitê de Orçamento do Senado dos Estados Unidos sobre o futuro da Previdência Social (Social Security), o senador Alex Padilla (democrata da Califórnia) destacou o papel fundamental dos imigrantes na sustentação econômica do país e no equilíbrio financeiro do sistema previdenciário.

Padilla, que integra a Subcomissão de Imigração do Senado, questionou especialistas sobre os impactos das políticas de deportação em massa adotadas pelo governo do presidente Donald Trump. Segundo o parlamentar, essas medidas podem comprometer diretamente a solvência do sistema de seguridade social no longo prazo.

Dados citados durante a audiência reforçam essa preocupação. Um relatório do Migration Policy Institute apontou que, sem a contribuição de imigrantes e de seus filhos nascidos nos Estados Unidos, a população em idade ativa teria encolhido em mais de 8 milhões de pessoas entre 2000 e 2023. Além disso, imigrantes tendem a ser mais jovens e a participar mais do mercado de trabalho, contribuindo com impostos que financiam a Previdência.

Especialistas ouvidos no Senado corroboraram essa análise. A atuária-chefe da Administração da Previdência Social, Karen Glenn, afirmou que o aumento da imigração está diretamente associado à redução do déficit do fundo previdenciário. Segundo ela, muitos imigrantes contribuem com o sistema ao longo dos anos, mas acabam não recebendo benefícios, seja por não cumprirem os requisitos ou por deixarem o país.

A economista Molly Dahl, do Escritório de Orçamento do Congresso (CBO), também destacou que imigrantes costumam entrar no país em idade produtiva, trabalham e pagam impostos sobre a folha salarial, fortalecendo o sistema. “Isso representa um benefício direto para a Previdência”, afirmou.

Durante o debate, Padilla fez um alerta sobre os efeitos das deportações em larga escala, incluindo casos de imigrantes com autorização de trabalho. Segundo ele, a retirada desses trabalhadores do mercado pode reduzir a base de contribuintes e agravar a situação financeira do sistema.

Ao ser questionada diretamente sobre o impacto dessas políticas, Glenn foi enfática: a redução da imigração e o aumento das deportações tendem a prejudicar a sustentabilidade da Previdência Social.

O senador também criticou um acordo de compartilhamento de dados entre o Departamento de Segurança Interna (DHS) e a Administração da Previdência Social, que teria permitido o acesso a informações sensíveis de milhões de residentes, incluindo números de seguridade social, endereços e datas de nascimento. Segundo ele, o uso dessas informações em políticas migratórias pode gerar erros, afetar cidadãos americanos e expor dados pessoais a riscos.

O tema da imigração tem sido central no debate político nos Estados Unidos, especialmente diante das propostas de endurecimento das políticas migratórias. Para especialistas, a discussão vai além da segurança de fronteiras e envolve diretamente a economia e a sustentabilidade de programas essenciais.

A audiência reforçou a avaliação de que a imigração continua sendo um dos principais pilares de crescimento econômico e equilíbrio demográfico nos Estados Unidos — e que mudanças drásticas nesse fluxo podem ter consequências profundas para o futuro do país.

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