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Última Edição #4380

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Revista Brazilian Times # 84
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Brasileira que foi adotada em 1989, enfrentou abusos e agressões físicas, foi deportada pelo governo Trump

Em 1989, aos 11 anos de idade, Maria Pires deixou um orfanato em São Paulo acreditando que embarcava em uma nova vida. Adotada por um norte-americano, chegou a Baltimore (Maryland) carregando a promessa de um futuro melhor. No entanto, o que deveria ser um recomeço transformou-se em um pesadelo de abusos, violência e abandono institucional.

 

Em vez de acolhimento, Maria enfrentou anos de agressões físicas e sexuais do homem que a adotara, Floyd Sykes III. Condenado por abuso, ele cumpriu apenas dois meses de prisão. A menina, sem apoio familiar ou proteção adequada do Estado, entrou em um ciclo de vulnerabilidade e cometeu alguns crimes que a conduziram ao sistema prisional norte-americano.

Foi durante a detenção que descobriu outro choque. Apesar de o certificado de nascimento indicar seu pai adotivo como responsável legal, ele nunca apresentou os documentos necessários para garantir a cidadania da filha. Mais tarde, quando foi entregue ao sistema de acolhimento de Maryland, o próprio Estado também deixou de solicitar a regularização. Na prática, Maria cresceu em território norte-americano sem jamais obter a cidadania que lhe era devida.

Mesmo carregando histórico criminal e problemas de saúde mental, Maria conseguiu permanecer em solo americano mediante check-ins anuais com o Departamento de Imigração e Alfândega (ICE, sigla m inglês). Em 2017, após deixar a prisão, buscou reconstruir sua vida. Iniciou terapia, afastou-se das drogas, trabalhou na construção civil e manteve-se em conformidade com as exigências imigratórias.

Durante anos, o governo brasileiro se recusou a emitir documentos de viagem para viabilizar uma deportação, argumentando que, ao ser legalmente adotada por um cidadão norte-americano, Maria deveria ser considerada também cidadã dos Estados Unidos. Assim, ela permaneceu sob monitoramento, mas em liberdade.

Em março de 2023, durante um check-in de rotina, Maria foi detida e ficou meses em centros de detenção. Mas com o segundo mandato e a ofensiva imigratória do governo Donald Trump — que prometia deportar “o pior do pior” — colocou-a na lista prioritária de expulsões.

Ela foi deportada em um voo para Fortaleza, junto a dezenas de outros imigrantes.

Hoje, aos 47 anos, Maria vive em um abrigo feminino no interior do Brasil. Fala pouco português, não possui rede de apoio e enfrenta dificuldades para obter documentos básicos. Ainda assim, sonha em trabalhar como tradutora, reencontrar a família biológica e alcançar a independência.

Para autoridades norte-americanas, o caso é direto: “criminosos não são bem-vindos nos Estados Unidos”, afirmou Tricia McLaughlin, secretária assistente do Departamento de Segurança Interna. Já advogados e defensores de imigrantes consideram Maria vítima de uma dupla negligência: primeiro, de um sistema de adoção falho; depois, de políticas migratórias que ignoraram sua história e vínculos construídos desde a infância.

Uma campanha foi aberta para ajudá-la a recomeçar no Brasil. “Já sobrevivi até aqui”, disse ela em entrevista. “Posso sobreviver de novo.”

O link de doação é https://www.gofundme.com/f/help-maria-return-home-and-rebuild-her-life

(com informações: https://www.independent.co.uk)

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