O perfil dos detidos mostra uma predominância masculina: quase 90% são homens e cerca de 10% mulheres.
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Brasileiros representam maior grupo de detidos pelo ICE em Massachusetts, diz relatório
Desde a posse do presidente Donald Trump, as prisões de imigrantes pelo Departamento de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, sigla em inglês) dispararam em Massachusetts, mas a maior parte dos detidos não possui antecedentes criminais. Um relatório realizado pelo USA TODAY, a partir de dados fornecidos pela agência em resposta a um pedido via Lei de Acesso à Informação (FOIA, sigla em inglês) e compilados pelo Deportation Data Project, revela que cerca de 78% dos imigrantes presos no estado desde janeiro não tinham condenações criminais, e quase 39% jamais haviam sido acusados de qualquer crime.
O levantamento mostra ainda que a tendência não é isolada em Massachusetts. Em estados vizinhos, como Vermont e New Hampshire, o percentual de prisões de imigrantes sem histórico criminal também cresceu. No outro extremo do país, uma análise do Los Angeles Times revelou que, entre os dias 1º e 10 de junho, 58% dos imigrantes detidos em operações do ICE em Los Angeles nunca tinham sido acusados formalmente de crimes.
Os números nacionais seguem a mesma direção. Segundo a agência Reuters, estatísticas do ICE apontam que o número de imigrantes detidos sem acusações ou condenações criminais saltou de aproximadamente 860 em janeiro para 7.800 em junho deste ano — um aumento superior a 800%. Já as detenções de imigrantes com histórico criminal também cresceram, mas em proporção muito menor, de 91%.
Em Massachusetts, o aumento é expressivo. Desde a posse de Trump, as prisões feitas pelo ICE subiram mais de 250% em comparação ao mesmo período de 2024. Entre janeiro e 29 de julho, último dado disponível, 2.782 pessoas foram detidas no estado. Desse total, 1.083 imigrantes não possuíam condenações criminais, enquanto 612 tinham algum tipo de histórico de infração.
O perfil dos detidos mostra uma predominância masculina: quase 90% são homens e cerca de 10% mulheres. Entre as nacionalidades, os brasileiros representam o maior grupo, correspondendo a aproximadamente 28% das prisões. Em seguida, aparecem imigrantes da Guatemala (17%) e da República Dominicana (13%).
Os dados contrastam com a retórica do presidente Trump, que desde a campanha eleitoral e ao longo do seu governo tem afirmado priorizar a deportação de imigrantes com histórico criminal, classificados como “criminosos perigosos”. A análise, no entanto, sugere que a política de fiscalização do ICE está atingindo, em grande medida, imigrantes sem qualquer passagem pela Justiça criminal.
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