Para Burroughs, gestos públicos de acolhimento fazem diferença: “Vamos afirmar em uma declaração pública que nos importamos com vocês, que aqui vocês estão seguros.”
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Medo da imigração gera insegurança na volta às aulas em Massachusetts
Com o início do ano letivo em Massachusetts, o receio de ações de fiscalização imigratória tem preocupado muitas famílias de imigrantes e levantado debates sobre segurança nas escolas.
O psicoterapeuta Michael Burroughs destacou que o medo da deportação pode afetar diretamente a educação. “A segurança é crucial… Tenho receio de que os pais deixem de mandar seus filhos para a escola com medo de que desapareçam”, afirmou. Segundo ele, a sensação de insegurança interfere na capacidade de aprendizagem: “Se você não se sente seguro, é muito difícil pensar com clareza, estudar, simplesmente raciocinar.”
Essas preocupações ganharam força em Milford (Massachusetts) após a detenção do estudante do ensino médio Marcelo Gomes da Silva, em maio, quando se dirigia ao treino de vôlei. Ele foi liberado uma semana depois, mas o episódio repercutiu em outros distritos escolares.
Em New Bedford, a Comissão Escolar votou neste mês para declarar as escolas como “zonas seguras contra o ICE”, prevendo a criação de uma equipe de resposta rápida, realização de sessões informativas sobre direitos e garantia de transporte seguro aos alunos. Porém, nem todos concordam com a medida. “Temos 13 mil estudantes neste distrito. Essa é uma promessa que não conseguiríamos cumprir. Foi isso que quis dizer”, ponderou o membro do comitê, Bruce Oliveira.
Já em Chelsea, a superintendente Almi Albeyta afirmou que o distrito segue as orientações da procuradoria estadual. “Se alguém pedir por uma criança, por exemplo, se o Departamento de Imigração (ICE, sigla em inglês) vier, temos protocolos definidos. Os administradores sabem que devem contatar a superintendência e exigir permissão legal para a presença em nossas escolas”, explicou.
Milford, por sua vez, não adotou a designação de “zona segura”. O superintendente Craig Consigli preferiu destacar o apoio da comunidade. Em nota, afirmou: “Nosso distrito escolar apoia as famílias de todas as formas possíveis. Se houver dúvidas ou preocupações, buscamos ajudar, conectando-as a agências e parceiros locais. A comunidade de Milford é muito solidária e se orgulha em garantir que todos os alunos tenham o necessário para prosperar.”
Para Burroughs, gestos públicos de acolhimento fazem diferença: “Vamos afirmar em uma declaração pública que nos importamos com vocês, que aqui vocês estão seguros.”
Embora o ICE tenha autoridade legal para atuar em áreas públicas das escolas, distritos como Worcester também aprovaram resoluções que restringem a cooperação da administração com a agência dentro das instituições de ensino, reforçando que dados de estudantes não serão compartilhados e exigindo mandados criminais para permitir a entrada de agentes em salas de aula. (com informações: NBC Boston)
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