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Revista Brazilian Times # 86
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Framingham, conhecida como a “capital brasileira em Massachusetts”, enfrenta queda de 40% no comércio após ações da imigração

A cerca de 35 quilômetros de Boston, Framingham abriga uma das maiores comunidades brasileiras dos Estados Unidos, com aproximadamente 8 mil imigrantes. Porém, o clima que antes era de acolhimento e prosperidade agora é marcado pelo medo e pela retração econômica. Comerciantes relatam perdas de até 40% nas vendas, consequência direta do aumento das operações da ICE (agência de imigração dos EUA) na região.

A cerca de 35 quilômetros de Boston, Framingham abriga uma das maiores comunidades brasileiras dos Estados Unidos, com aproximadamente 8 mil imigrantes. Porém, o clima que antes era de acolhimento e prosperidade agora é marcado pelo medo e pela retração econômica. Comerciantes relatam perdas de até 40% nas vendas, consequência direta do aumento das operações da ICE (agência de imigração dos EUA) na região.

Em uma movimentada esquina da cidade, uma padaria com nome em português já não recebe os clientes habituais. “Tem dia que ninguém entra. O centro parece abandonado”, lamenta o proprietário, que prefere não se identificar. Mesmo com prateleiras abastecidas, a insegurança transformou a rotina da comunidade.

A repressão migratória tem feito muitos brasileiros evitarem sair de casa, com receio de serem abordados por autoridades ou deportados. Esse clima de tensão tem impacto direto nos negócios e na saúde emocional dos imigrantes. Ana Paula, dona de uma loja de produtos brasileiros, conta que muitos clientes demonstram sinais de ansiedade e depressão: “Estão se isolando, com medo até de trabalhar.”

A deputada estadual Priscila Sousa, filha de mineiros e moradora de Framingham desde a infância, tem se posicionado firmemente contra as políticas anti-imigração. Cidadã americana e em seu segundo mandato na Câmara de Massachusetts, ela vem utilizando sua história como imigrante para defender a comunidade. “Ninguém precisa me ensinar a ser imigrante. Eu vivi isso na pele”, afirma.

Em uma visita ao local onde morou com a família enquanto estavam indocumentados, Priscila relembrou um episódio recente envolvendo um brasileiro abordado por policiais, cujo vídeo viralizou. “Aquilo me doeu. Eu já estive naquele lugar.”

Desde 2022, Priscila tem sido voz ativa contra o endurecimento das leis migratórias. Em 2025, discursou contra propostas defendidas pelo ex-presidente Donald Trump. “Estão prendendo pessoas sem antecedentes, que pagam impostos, que têm documentos em dia. Isso não é segurança pública. É perseguição”, criticou.

Framingham agora enfrenta o desafio de manter viva a energia de sua comunidade brasileira, que tanto contribuiu para o crescimento da cidade. E, enquanto muitos vivem com medo, Priscila Sousa segue na linha de frente, transformando sua história em resistência, exemplo e representatividade.

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