A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (27/11), a Operação Asylum para desarticular um esquema de produção de boletins de ocorrência falsificados utilizados para facilitar a entrada ilegal de brasileiros nos Estados Unidos pela fronteira mexicana. A organização criminosa atuava no Vale do Rio Doce, em Minas Gerais, e fabricava documentos que simulavam ameaças e perseguições, estratégia usada para embasar pedidos de refúgio e reduzir o risco de deportação.
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PF deflagra operação contra esquema que falsificava boletins de ocorrência para envio ilegal de brasileiros aos EUA
A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (27/11), a Operação Asylum para desarticular um esquema de produção de boletins de ocorrência falsificados utilizados para facilitar a entrada ilegal de brasileiros nos Estados Unidos pela fronteira mexicana. A organização criminosa atuava no Vale do Rio Doce, em Minas Gerais, e fabricava documentos que simulavam ameaças e perseguições, estratégia usada para embasar pedidos de refúgio e reduzir o risco de deportação.
A investigação é um desdobramento da Operação Trinta Réis, iniciada em 2022. O caso ganhou novo impulso após a análise do celular do principal investigado revelar a existência de boletins de ocorrência ideologicamente falsos, supostamente produzidos sob encomenda para migrantes interessados em fugir do país.
Funcionamento do esquema
Segundo a Polícia Federal, o grupo era liderado por um contrabandista conhecido no Vale do Aço e contava com o apoio de um servidor público corrompido. O agente teria emitido documentos oficiais registrando ameaças inexistentes, criando uma falsa narrativa de risco que fortaleceria pedidos de asilo junto às autoridades norte-americanas.
As investigações já identificaram ao menos 65 brasileiros enviados ilegalmente ao exterior com o uso desses documentos adulterados. As fraudes eram apresentadas nas entrevistas com agentes migratórios para tentar justificar supostas perseguições no Brasil.
Mandados judiciais e bloqueio de bens
Com base nas provas reunidas, a Justiça Federal em Governador Valadares autorizou três mandados de busca e apreensão nas cidades de Ipatinga (MG), Tarumirim (MG) e Novo Repartimento (PA). A ação busca apreender aparelhos eletrônicos, registros digitais e outros indícios que possam apontar a participação de novos envolvidos no esquema.
A Justiça também decretou o sequestro de bens e valores no valor de até R$ 263.464,25 — montante estimado do lucro obtido pela organização criminal.
Crimes investigados
Os alvos da operação podem responder por promoção de migração ilegal, inserção de dados falsos em sistemas de informação, falsidade ideológica, corrupção passiva e outros crimes correlatos identificados no andamento das investigações.
Próximos passos
A Polícia Federal informou que a prioridade agora é mapear toda a estrutura da quadrilha, identificar outros beneficiados pelos documentos falsificados e localizar eventuais migrantes que possam ter sido enganados ou explorados pelo grupo. A corporação reforçou que investigações adicionais já estão em andamento para aprofundar a análise dos materiais apreendidos e responsabilizar todos os envolvidos.
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