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Revista Brazilian Times # 83
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Denúncia de violência em centro de detenção na Flórida expõe tensão no sistema imigratório dos EUA

Um centro de detenção de imigrantes localizado nos Everglades, na Flórida, conhecido informalmente como “Alligator Alcatraz”, voltou ao centro de uma grave controvérsia após denúncias de agressões físicas e uso de spray de pimenta contra detidos. As acusações foram apresentadas pela advogada Katherine Blankenship, que representa dois imigrantes mantidos na unidade.

Um centro de detenção de imigrantes localizado nos Everglades, na Flórida, conhecido informalmente como “Alligator Alcatraz”, voltou ao centro de uma grave controvérsia após denúncias de agressões físicas e uso de spray de pimenta contra detidos. As acusações foram apresentadas pela advogada Katherine Blankenship, que representa dois imigrantes mantidos na unidade.

De acordo com uma declaração judicial apresentada pela advogada, o episódio ocorreu no dia 2 de abril, após detentos reclamarem da falta de acesso a telefones — principal meio de comunicação com familiares e advogados dentro da instalação. Segundo o relato, os equipamentos não estavam funcionando, o que teria gerado tensão entre os internos e os agentes de segurança.

Blankenship afirma que, diante das reclamações, os guardas passaram a provocar os detentos verbalmente, elevando o clima de confronto. A situação teria se agravado quando um dos imigrantes se aproximou de um agente e foi imediatamente agredido com um soco no rosto. A partir daí, segundo a advogada, outros detentos também foram atacados dentro da cela.

Um dos clientes da advogada teria sido atingido no olho direito, derrubado ao chão e espancado por vários agentes. O relato inclui ainda chutes na cabeça e lesões no ombro e no braço. Em outro momento, um guarda teria imobilizado o detento com o joelho sobre o pescoço — prática amplamente criticada por organizações de direitos civis. A declaração judicial também menciona que outro imigrante teve o pulso quebrado durante a ação.

Imagens capturadas durante uma chamada de vídeo dias após o incidente mostram um dos detentos com hematomas visíveis no rosto, reforçando as alegações de uso excessivo da força.

Curiosamente, o serviço telefônico foi restabelecido no dia seguinte, sem qualquer explicação oficial sobre a interrupção.

As denúncias foram incluídas em um processo judicial que acusa autoridades estaduais e federais de descumprirem uma decisão recente da Justiça. No mês anterior, a juíza federal Sheri Polster Chappell determinou que o centro de detenção garantisse acesso adequado a chamadas legais — incluindo comunicação gratuita, confidencial e sem monitoramento — além de manter ao menos um telefone funcional para cada 25 detentos. A decisão foi tomada após ação judicial que alegava violação da Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos.

Autoridades estaduais negaram as acusações de restrição ao acesso jurídico, alegando que eventuais dificuldades são resultado de questões operacionais, como segurança e falta de pessoal. Já representantes federais também rejeitaram a tese de violação de direitos constitucionais.

O centro de detenção foi construído no ano passado durante a gestão do governador Ron DeSantis, como parte de uma estratégia estadual alinhada às políticas migratórias do ex-presidente Donald Trump. A instalação fica em uma área remota dos Everglades, o que, segundo críticos, dificulta o acesso de advogados, familiares e órgãos de fiscalização.

A situação no local também foi criticada publicamente pela deputada federal Debbie Wasserman Schultz, que visitou a unidade recentemente. Segundo ela, não foi permitido conversar com os detentos durante a inspeção. A parlamentar classificou as condições como “desumanas” e afirmou que a forma como os imigrantes estão sendo mantidos é “cruel e desnecessária”.

O caso amplia o debate sobre as condições nos centros de detenção imigratória nos Estados Unidos, especialmente em meio ao endurecimento das políticas migratórias e ao aumento do número de pessoas sob custódia. Organizações de direitos humanos já pedem investigação independente sobre o episódio.

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