A revisão foi conduzida pelo chefe de polícia Matt Giordano, que assumiu o comando da corporação em agosto do ano passado e decidiu reavaliar o caso
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Investigação revela má conduta de policiais em caso contra manifestantes, mas agentes não serão punidos
Da redação
Anos após a polícia de Phoenix e promotores do condado apresentarem acusações consideradas falsas contra manifestantes em 2020, uma investigação interna concluiu que três policiais violaram políticas do departamento. Apesar disso, nenhum deles será punido, pois já se aposentaram.
A revisão foi conduzida pelo chefe de polícia Matt Giordano, que assumiu o comando da corporação em agosto do ano passado e decidiu reavaliar o caso. Ao todo, seis agentes foram investigados, sendo que três — identificados como o sargento Doug McBride e os policiais Alex Volk e Joseph Crowley — tiveram violações confirmadas.
Segundo informações divulgadas pela imprensa local, as irregularidades incluem fornecimento de informações falsas e ações que comprometeram investigações e processos judiciais. Em um dos episódios mais graves, McBride teria induzido um grande júri ao erro ao afirmar que manifestantes ligados ao movimento Black Lives Matter faziam parte de uma suposta gangue — posteriormente considerada inexistente. Atualmente aposentado, ele recebe uma pensão anual de cerca de US$ 98 mil.
De acordo com Lorraine Fernandez, porta-voz do departamento de polícia de Phoenix, as violações foram oficialmente confirmadas, mas não configuram crimes, o que impede a aplicação de penalidades legais. Além disso, como os envolvidos já deixaram a corporação, também não podem sofrer sanções administrativas.
“O fornecimento de informações falsas e ações que comprometeram investigações foram devidamente constatados”, afirmou Fernandez em comunicado.
O caso remonta a protestos realizados em 2020, quando autoridades policiais e o Ministério Público do Condado de Maricopa acusaram manifestantes de integrarem uma suposta gangue chamada “ACAB”. Investigações independentes, além de análises judiciais e posicionamentos da União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) do Arizona, concluíram que não havia qualquer evidência confiável da existência dessa organização.
A condução do caso foi duramente criticada por especialistas e pelo Judiciário. Um juiz responsável pelo processo classificou a atuação das autoridades como “má conduta flagrante” (“egregious misconduct”) e determinou o arquivamento das acusações. Posteriormente, o Ministério Público retirou todas as denúncias.
O caso ganhou ainda mais repercussão após a Suprema Corte do Arizona concluir que a promotora responsável, April Arlene Sponsel, apresentou informações falsas ao grande júri e chegou a fabricar evidências durante o processo.
Apesar das conclusões contundentes das investigações e decisões judiciais, nenhum dos envolvidos enfrentará punições criminais ou administrativas. Os três policiais apontados por violar as regras já se aposentaram, enquanto os demais agentes investigados continuam em atividade.
O episódio levanta questionamentos sobre responsabilização dentro das forças de segurança e do sistema judicial, especialmente em casos que envolvem direitos civis e manifestações públicas.




