Enquanto isso, Vivian e outras mulheres seguem determinadas a denunciar o que viveram. “A gente precisa contar o que acontece lá dentro. Não pode continuar assim”, afirmou.
Publicidade
Publicidade
Brasileira denuncia abusos em prisões nos EUA após passar 213 dias detida sem condenação
Uma brasileira de 29 anos, natural de Governador Valadares (Minas Gerais), denuncia ter sido vítima de abusos físicos, psicológicos e sexuais durante os 213 dias em que permaneceu detida em penitenciárias nos Estados Unidos, entre agosto de 2024 e abril de 2025. Vivian Oliveira afirma que foi presa enquanto atualizava sua documentação migratória e que nunca cometeu crime.
“Às vezes a gente está tão acostumado a pedir licença pra existir que as coisas acontecem com a gente e a gente pede desculpas por estar apanhando”, declarou Vivian em entrevista ao ICL Notícias. O relato ganhou repercussão após um vídeo com seu depoimento viralizar nas redes sociais.
Durante audiência pública na Câmara Municipal de Governador Valadares, no dia 12 de março, Vivian descreveu as condições enfrentadas no sistema carcerário americano. “Estou aqui como uma pessoa que passou 213 dias presa sem ter cometido crime algum. Porque migrar não é um crime, migrar é um direito humano. Durante esse tempo, o meu nome se tornou um número”, afirmou.
Segundo ela, a realidade nas unidades prisionais incluía superlotação, privação de sono, falta de acesso a água potável e medicamentos, além de episódios de violência e abuso. Em uma das celas, Vivian conviveu com cerca de 60 mulheres de diferentes nacionalidades, incluindo russas, ucranianas, iranianas, chinesas e latino-americanas.
Ela relata que presenciou situações extremas, como o caso de uma detenta colombiana que teria tido as duas pernas quebradas por uma agente penitenciária durante uma revista. Também afirma ter sido submetida a punições degradantes, como permanecer nua em uma cela de vidro por sete dias, exposta à observação de outros detentos e agentes.
Vivian ainda denuncia episódios de abuso sexual dentro das celas. “As guardas entravam de madrugada, faziam barulho, tocavam nas presas. Era constante”, disse. Em uma ocasião, ao reagir a uma abordagem, tentou denunciar o ocorrido, mas afirma não ter obtido resposta.
Outro ponto crítico apontado é a negligência médica. Segundo ela, uma colega russa com câncer não recebeu tratamento adequado e foi deportada em estado terminal. “Ela saiu para morrer mesmo”, relatou.
Apesar das condições adversas, Vivian destaca que o apoio entre as detentas foi fundamental para sua sobrevivência emocional. Ela mantém contato com várias ex-companheiras de cela, que agora pretendem tornar públicas as denúncias sobre o sistema prisional migratório dos Estados Unidos.
Deportada, Vivian retornou ao Brasil por Natal (RN), onde afirma ter sido acolhida por agentes da Polícia Federal. “Eles me disseram que eu não deveria baixar a cabeça, que tudo o que aconteceu foi errado. Aquilo me devolveu a dignidade”, contou .
O caso reacende o debate sobre políticas migratórias e o tratamento dado a imigrantes em centros de detenção. Autoridades e representantes políticos brasileiros já começaram a se manifestar sobre a necessidade de acompanhamento e proteção a cidadãos em situação semelhante.
A vereadora Sandra Perpétuo (PT), responsável pela audiência pública onde Vivian prestou depoimento, afirmou que novas discussões sobre o tema devem ocorrer em Minas Gerais. Um novo encontro está previsto para a Assembleia Legislativa do estado, com a presença da brasileira.
Enquanto isso, Vivian e outras mulheres seguem determinadas a denunciar o que viveram. “A gente precisa contar o que acontece lá dentro. Não pode continuar assim”, afirmou.
Publicidade




