“Independentemente das nossas opiniões sobre a política migratória, o povo americano não apoia o abuso de detentos e prisioneiros.
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‘Horrível’: relatório revela abusos contra gestantes e crianças em centros de detenção da imigração dos EUA
Um relatório recente elaborado pelo gabinete do senador Jon Ossoff (Democrata da Geórgia) expôs 510 casos considerados críveis de abusos contra os direitos humanos em centros de detenção da imigração dos Estados Unidos desde a posse de Donald Trump em seu segundo mandato, em janeiro de 2025.
As denúncias abrangem um amplo espectro de violações graves, incluindo mortes sob custódia, abuso físico e sexual de detentos, maus-tratos a mulheres grávidas e crianças, atendimento médico inadequado, superlotação e condições insalubres, falta de alimentos e água, exposição a temperaturas extremas, negação de acesso a advogados e separação familiar.
Entre os casos reportados, destacam-se 41 ocorrências de abuso físico e/ou sexual contra detentos, inclusive relatos de retaliação contra aqueles que denunciaram as agressões. O relatório cita ainda quatro chamadas de emergência ao 911 relacionadas a abuso sexual no centro de processamento do Departamento de Imigração (ICE, sigla em inglês) no Sul do Texas desde janeiro deste ano.
Outro ponto alarmante são os maus-tratos a gestantes, com 14 relatos críveis. Entre eles, há o caso de uma mulher grávida que foi orientada a beber água ao solicitar atendimento médico e o de outra que sofreu sangramento por dias antes de ser levada a um hospital, onde foi deixada sozinha em uma sala para abortar espontaneamente sem assistência médica ou hidratação.
O documento também aponta 18 casos de crianças, algumas com apenas dois anos, incluindo cidadãos dos Estados Unidos, que sofreram maus-tratos enquanto estavam sob custódia federal. Destacam-se casos como o de uma criança de 10 anos que se recuperava de cirurgia cerebral e teve seu acompanhamento médico negado, e o de uma menina de quatro anos, em tratamento para câncer metastático, que foi deportada sem consulta médica.
A investigação está em andamento, mas o gabinete de Ossoff acusa o Departamento de Segurança Interna de obstruir o trabalho de fiscalização do Congresso, restringindo visitas a centros de detenção e entrevistas com detentos.
A superlotação nas unidades de detenção também é grave, com mais de 13.500 pessoas acima da capacidade estimada. Segundo análise do jornal The Guardian, as prisões diárias médias relacionadas à imigração em junho de 2025 aumentaram 268% em relação a junho de 2024, sendo a maioria dos detidos sem condenações criminais.
A secretária assistente do DHS, Tricia McLaughlin, negou as alegações, afirmando que “todas as pessoas sob custódia da ICE recebem alimentação adequada, tratamento médico e têm oportunidades de se comunicar com advogados e familiares”.
Por sua vez, Meredyth Yoon, advogada especializada em imigração, relatou ter ouvido da mulher que sofreu aborto espontâneo descrições de condições “horríveis” e “terríveis”, incluindo superlotação, falta de acesso a nutrição e cuidados médicos adequados, abuso por parte dos agentes, e dificuldade de contato com familiares e advogados.
“Independentemente das nossas opiniões sobre a política migratória, o povo americano não apoia o abuso de detentos e prisioneiros. É mais importante do que nunca lançar luz sobre o que acontece por trás das grades e arame farpado, especialmente – e de forma mais chocante – contra as crianças”, afirmou Ossoff em comunicado.




