Embora a medida afete diretamente os trabalhadores, especialistas alertam que o maior impacto pode recair sobre os pacientes que dependem desses cuidados.
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Setor de saúde teme colapso com possível perda de trabalhadores imigrantes
A iminente perda de status legal de cerca de 350 mil haitianos nos Estados Unidos ameaça agravar a crise de mão de obra no setor de saúde, especialmente em estados como Massachusetts, onde muitos imigrantes ocupam empregos essenciais e de baixa remuneração em cuidados de longa duração.
Entre os afetados estão alguns auxiliares de enfermagem certificado que trabalha em um hospital de Boston. Eles perderão o emprego em fevereiro do próximo ano caso não regularizem sua situação migratória.
A grande maioria destes imigrantes vivem sob o Temporary Protected Status (TPS), programa que concede permissão de permanência a cidadãos de países afetados por crises políticas ou desastres naturais. A administração Trump, no entanto, decidiu encerrar o benefício para haitianos e outros grupos, incluindo venezuelanos. Com o fim do TPS, beneficiários terão de optar entre retornar voluntariamente a seus países ou permanecer nos EUA de forma indocumentada, sujeitos a deportação.
Em Massachusetts, existem cerca de 50 mil auxiliares de enfermagem certificados — e, segundo as informações, metade pode perder o direito de trabalhar com a expiração do TPS.
A medida preocupa especialistas que alertam que a retirada em massa desses profissionais pode comprometer seriamente o funcionamento de lares de idosos e instituições de longa permanência.
Em artigo publicado no Journal of the American Medical Association, destaca-se que mais de um milhão de não cidadãos trabalham no setor de saúde nos EUA — mais de um terço já está em situação irregular. A repressão à imigração, segundo ela, agrava um quadro já marcado por escassez de profissionais.
Em Boston, referência mundial em serviços de saúde, a dependência de trabalhadores estrangeiros é bem conhecida.
Mesmo com ações judiciais em andamento para tentar barrar o fim do TPS, já há funcionários deixando voluntariamente os empregos, e algumas unidades se preparam para perder até 20% do quadro.
Embora a medida afete diretamente os trabalhadores, especialistas alertam que o maior impacto pode recair sobre os pacientes que dependem desses cuidados.
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