Registros mostram que polícia usou câmeras de escolas para ajudar na repressão migratória de Trump nos EUA
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Registros Revelam Uso de Monitoramento Escolar em Operações Contra Imigrantes
Registros de fiscalização e dados públicos revelam que várias forças policiais nos Estados Unidos têm acessado imagens e dados de câmeras de segurança de distritos escolares para apoiar investigações relacionadas à imigração, incluindo operações do governo de Donald Trump, segundo uma investigação recente.
Auditorias de sistemas de vigilância mostram que autoridades policiais em vários estados têm consultado dados de leitores automáticos de placas de veículos instalados em áreas escolares. Esses equipamentos — fornecidos por empresas como a Flock Safety, que capturam números de placas, horários e detalhes de veículos — normalmente servem para melhorar a segurança nas escolas, mas também estão ligados a uma rede nacional acessível por centenas de agências policiais.
Como funciona o sistema
Os distritos escolares que contratam esse tipo de tecnologia podem optar por compartilhar os dados coletados com outras agências de segurança pública, incluindo departamentos de polícia e investigações federais. Uma vez compartilhados, esses dados ficam disponíveis em um banco de dados na nuvem que permite buscas por número de placa, localização e horário.
Uso em casos de imigração
Os registros analisados mostram que, em um distrito ao sul de Houston (Texas), mais de 3.100 agências policiais realizaram 733 mil consultas em um único mês, e centenas dessas consultas foram marcadas como relacionadas a casos de imigração por cerca de 30 departamentos em vários estados. Algumas dessas buscas foram feitas para apoiar investigações do Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS), que inclui o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE).
Autoridades policiais ouvidas pela reportagem disseram que, quando recebem pedidos de ajuda de agentes federais em casos de imigração, eles cooperam sem questionar.
Reações e preocupações
Especialistas em direitos civis alertam que o uso de dados escolares para fins migratórios levanta questões importantes sobre privacidade, proteção de dados e a função das escolas na comunidade. Câmeras destinadas a proteger alunos e funcionários podem estar sendo “reutilizadas” para finalidades que os pais e as escolas não haviam intencionado.
Grupos de defesa dos direitos dos imigrantes também criticam a prática como parte de uma estratégia mais ampla de enforcement (“aplicação rigorosa”) que tem aumentado sob a administração Trump, com operações em cidades e uso de tecnologia massiva para tentar localizar e deter imigrantes, incluindo aqueles sem antecedentes criminosos conhecidos.
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