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Última Edição #4372

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BT MAGAZINE

Revista Brazilian Times # 83
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Boston Marathon 130: História, Emoção e um Recorde Quebrado após 15 Anos.

Todo ano, no Patriots’ Day (Dia do Patriota), Boston recebe mais de 30 mil atletas de todo o mundo para correr na maratona mais famosa e tradicional do planeta, que chegou à sua edição de número 130. Durante o fim de semana, vários eventos acontecem, como a 5K, muito popular entre os brasileiros. Estima-se que entre 500 mil e 1 milhão de pessoas presenciem a prova, e, se o dia estiver ensolarado, esse número pode ultrapassar 1 milhão.


Boston Marathon 130: História, Emoção e um Recorde Quebrado após 15 Anos.

Todo ano, no Patriots’ Day (Dia do Patriota), Boston recebe mais de 30 mil atletas de todo o mundo para correr na maratona mais famosa e tradicional do planeta, que chegou à sua edição de número 130. Durante o fim de semana, vários eventos acontecem, como a 5K, muito popular entre os brasileiros. Estima-se que entre 500 mil e 1 milhão de pessoas presenciem a prova, e, se o dia estiver ensolarado, esse número pode ultrapassar 1 milhão.  A cidade de Boston sofre um impacto positivo com o enorme volume de turistas que o evento atrai, e os hotéis aumentam sua ocupação em 68%. Chegam pessoas de mais de 100 países diferentes, e cada atleta traz, em média, mais duas pessoas consigo, somando no mínimo 60 mil visitantes.

Os eventos começam na sexta-feira, quando os oficiais convidam a mídia para apresentar os preparativos realizados para o evento. Logo depois chegam os corredores chamados de elite, que são entrevistados por apenas um repórter, este ano da ESPN, e em seguida posam para fotos. A mídia tem a oportunidade de entrevistar os atletas individualmente, que nos aguardam sentados, espalhados pelo salão, cada um em sua mesa.

Enquanto isso, a Expo abre simultaneamente para que os atletas possam retirar o seu BIB (número de identificação da corrida, cujo nome vem do inglês “bib”, que significa babador, devido à aparência do número fixado na camisa do atleta). O público em geral vai diretamente para a Expo, onde se encontram todas as novidades em tênis de alta performance, camisas e muito mais. Os itens mais procurados são as jaquetas da maratona. A feira também oferece estandes de diversos patrocinadores, com produtos de ponta e de grande interesse.

No sábado acontece a super popular 5K, com 10 mil participantes. Este ano, as inscrições se esgotaram em apenas 30 minutos após abertura. As categorias são divididas entre Masculino, Feminino e Não Binário. A largada começou às 7h50, com intervalo de aproximadamente cinco minutos entre as categorias: a primeira foi a de cadeira de rodas masculina, a segunda a de cadeira de rodas feminina, seguida do Masculino Rápido, do Feminino Rápido e, por fim, o grupo geral. A largada e a chegada foram diferentes das do ano passado, quando tudo começava e terminava na Boston Common, que, na minha opinião, era melhor, pois os atletas comemoravam juntos na chegada, com muito mais emoção.

 

Vencedores Masculino e Feminino da 5K.

 

Este ano o público tinha que escolher entre assistir à largada ou à chegada. Eu não tive escolha: fui obrigado a fotografar a largada e depois correr até a chegada carregando todo o equipamento, que não é leve. O que foi muito gratificante foi ver a enorme quantidade de brasileiros que participaram desta corrida. Eu mal parava de fotografar atletas brasileiros, o que chegou a chamar a atenção de uma emissora de televisão.

Entre eles, o corredor e treinador Roy Siqueira, conquistador de uma mandala (os 6 Majors), com seu grupo de dez pessoas, com destaque para Gabriel Rusca, que completou a maratona em 2h40min03s.

 

O casal comemora com um beijo a sua conquista.

Na segunda-feira, às cinco da madrugada, a mídia já estava no saguão do Fairmont Copley Plaza, concentração temporária da Boston Athletic Association. O circo já estava todo montado nas ruas: barracas gigantes, caixas com equipamentos, policiais em cada esquina, viaturas do corpo de bombeiros e uma frota gigantesca de ônibus para transportar os 30 mil participantes. Nós, da mídia, aguardávamos o ônibus que nos levaria até a largada, situada bem distante de Boston.

Às 7h00, com temperatura de zero grau, chegamos à pequena cidade de Hopkinton, onde tudo começa, conforme diz a placa local. Hopkinton é uma típica cidade pequena do interior americano: um coreto na praça e uma rua principal. Com excelente coordenação entre a polícia e os organizadores, a primeira categoria, cadeira de rodas masculino, já se encaminhava para a pista. O início da prova é em uma ladeira descendente que, quando os atletas em cadeira de rodas largam, impressiona pela velocidade com que descem a rua. A segunda categoria, cadeira de rodas feminino, também desceu a ladeira em velocidade incrível. A terceira categoria, a de handbike, proporcionou o mesmo visual impactante na descida.

A categoria masculina profissional foi a seguinte: após o aquecimento, iniciou-se o alinhamento para a arrancada de uma jornada de mais de duas horas à espera no ponto de partida.

John Korir estava bastante focado antes da largada e saiu tranquilamente pelo lado direito da pista, ocupando boa parte das minhas fotos, para minha sorte. Por último, mas de grande importância, a categoria feminina profissional. Sharon Lokedi demonstrava bastante tranquilidade durante o aquecimento e arrancou pelo lado esquerdo, atrás do pelotão, distante da minha lente. Em seguida, foram liberados os grupos conforme seus tempos de qualificação. É uma sensação muito satisfatória ver aquele pelotão de quase 30 mil pessoas passando por você, e quanto mais assisto, mais fico impressionado.

Ao chegarmos em Boston, fui imediatamente procurar um lugar próximo à chegada, onde me disseram para nem tentar, pois seria impossível. Minhas fotos provam o contrário. A multidão gritava, aplaudia e fazia barulho a cada participante da categoria cadeira de rodas que cruzava a linha. Um telão enorme do outro lado da rua mostrava a jornada de John Korir, enquanto o locutor já anunciava a possibilidade de um novo recorde. Era possível perceber a tranquilidade e a calma com que John se aproximava da chegada. Quando ele entrou na Boylston Street, a plateia foi à loucura.

Já era possível ver que um novo recorde estava prestes a se concretizar, e eu, mentalmente, me preparava para registrar aquele momento histórico. Confesso que fiquei com medo de errar na hora de fotografar. Quando o vi chegando em ritmo muito acelerado para quem já havia corrido mais de 41 km, parecia a final de um campeonato de futebol.

Já perto do final, ele olhou para trás, depois olhou para a minha câmera (brincadeira, mas na foto parece), passou muito rápido, abriu os braços e cruzou a faixa de chegada em 2:01:52, pulverizando o recorde do percurso que pertencia ao queniano Geoffrey Mutai desde 2011, quando correu em 2:03:02.

Logo em seguida chegou Alphonce Simbu, que comemorou intensamente carregando a bandeira do seu país.

Já cobri várias maratonas ao redor do mundo e sempre me emociono muito com a largada. O volume de gente saindo ao mesmo tempo é algo que só quem testemunha consegue descrever. Cada corrida tem a sua personalidade, a sua multidão, a sua história. Mas a Maratona de Boston carrega um peso diferente, uma tradição que se sente no ar, nas ruas, nos rostos dos atletas e nos olhos de quem assiste. Nunca havia assistido, e muito menos feito uma cobertura com acesso VIP, a este evento que considero o mais icônico do calendário mundial do atletismo de rua. E fazer isso como morador da cidade acrescenta uma camada de orgulho difícil de explicar. Boston é minha cidade, e ver o mundo inteiro chegar até ela para celebrar o esporte, a superação e a humanidade é uma experiência que nenhuma credencial de imprensa consegue preparar você para sentir.

 

Brasileiros que terminaram a 5k.

   

Viajar e fotografar é uma forma maravilhosa de eternizar momentos, descobrir novos olhares e reviver, para sempre, as emoções de cada destino visitado.

Eu sempre acredito que é importante contar com um agente de viagens de confiança. Eu tenho o meu e espero que você também tenha o seu.

Visite meu Instagram @moxleyonthemove

 

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